O esposo da técnica de enfermagem que foi mordida por um cachorro da raça chow-chow em maio deste ano, em Ji-Paraná (RO), revelou que optou pela eutanásia do animal para resguardar a segurança da família. Tiago, marido de Natani Santos, afirmou que tomou essa decisão unilateralmente, sem informar a esposa imediatamente. Ele mencionou que essa escolha foi baseada em avaliações de profissionais e no potencial risco que o cão poderia representar.
“Se alguém deu um fim nesse cachorro, fui eu, não foi ela. Ela sequer tinha ciência disso. Fui eu quem tomou essa decisão. Planejava contar a ela no momento apropriado”, disse Tiago em um vídeo divulgado nas redes sociais. Ele acrescentou: “Meu intuito era proteger minha esposa e meu filho. Se o ataque tivesse ocorrido contra nosso filho de oito anos, como isso seria julgado?”.
O incidente aconteceu no dia 5 de maio, quando Natani foi mordida pelo cão, chamado Jacke, ao voltar para casa. Ela relatou que estava acariciando o animal, como de costume, quando ele rosnou e a atacou de maneira inesperada. “Ele rosnou, me afastei e ele mordeu, encolhendo-se imediatamente. Parecia que ele tinha compreendido que havia feito algo errado”, contou.
A mordida afetou o rosto da técnica de enfermagem, que precisou de atendimento médico e agora se prepara para uma cirurgia de reconstrução facial em Santa Catarina. Além das lesões físicas, Natani também mencionou os impactos emocionais resultantes do ataque. “Por atuar na área da saúde, consigo lidar com o ferimento. Mas a ausência do meu animal e a falta de estrutura psicológica para tê-lo próximo de mim está me afetando bastante”, disse.
Jacke foi adotado há cinco anos e viveu com a família nesse período. A repercussão do caso aumentou após Natani compartilhar vídeos nas redes sociais explicando o que aconteceu e iniciando uma campanha para arrecadar fundos para seu tratamento. Apesar do trauma, ela aconselhou seus seguidores a não se desfazerem de seus animais de estimação. “Apenas sugiro que busquem um adestrador”, recomendou.
Após o ataque, Tiago levou o animal à Secretaria Municipal de Proteção e Bem-Estar Animal. Ele informou que veterinários e adestradores avaliaram o cão, que foi considerado inadequado para permanecer em um ambiente doméstico. “Fui chamado a uma sala separada e informaram que o cachorro não tinha mais condições de conviver com pessoas. Não fui eu quem decidiu, apenas autorizei o procedimento, caso fosse necessário”, explicou.
Tiago também mencionou que tentou reverter a situação ao saber que uma ONG estava interessada em acolher o cachorro, mas foi informado de que Jacke já havia sido eutanasiado. Natani levantou a suspeita de raiva, razão pela qual o cão foi enviado ao Centro de Zoonoses para observação antes da decisão final ser tomada.
A reportagem tentou contato com a Secretaria do Bem-Estar Animal de Ji-Paraná, mas não obteve retorno. O espaço permanece disponível para futuras comunicações.