O voto ainda pendente do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), no processo em que a deputada Carla Zambelli (PL) é avaliada por sua participação na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), tem gerado otimismo entre os apoiadores da parlamentar. Até o momento, quatro dos cinco ministros da Primeira Turma se manifestaram favoravelmente à condenação de Zambelli a 10 anos de prisão, além da perda do mandato e uma multa solidária de R$ 2 milhões, em conjunto com o hacker Walter Delgatti. No entanto, um possível voto divergente de Fux poderia proporcionar mais tempo à deputada.
O caso está sendo discutido em um plenário virtual, com a possibilidade de votos até a próxima sexta-feira (16/5). Os aliados de Zambelli esperam que Fux solicite vista do processo, o que significaria uma prorrogação na análise; ou que peça destaque, levando o caso ao julgamento em plenário físico. Caso isso ocorra, os votos dados no ambiente virtual são considerados nulos, permitindo que os ministros reavaliem suas decisões anteriores.
A expectativa em relação ao voto de Fux se intensificou após o recente julgamento da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, que vandalizou a estátua “A Justiça” em frente ao STF. Fux pediu vista do caso e sugeriu uma pena de 1 ano e 6 meses para Débora, enquanto a média das penas dos demais ministros foi de 14 anos. Além disso, Fux se opôs ao julgamento da trama golpista na Primeira Turma, defendendo que o caso fosse analisado por todos os 11 ministros. Essa postura lhe rendeu reconhecimento entre os conservadores.
Fux foi homenageado pela ex-primeira dama Michelle Bolsonaro (PL) em um evento em Brasília e recebeu orações de apoiadores que clamavam pela recuperação de Jair Bolsonaro (PL) em frente ao Hospital DF Star, também na capital. No contexto do julgamento de Carla Zambelli, seus aliados acreditam que Fux pode garantir mais tempo para que a defesa da deputada demonstre sua inocência. Zambelli afirma ser alvo de uma perseguição política e argumenta que não existem evidências suficientes para uma condenação.
De acordo com a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), Carla Zambelli foi acusada de liderar a invasão de sistemas judiciais com a intenção de alterar informações oficiais. Walter Delgatti, por sua vez, é apontado como o executor do crime entre agosto de 2022 e janeiro de 2023. O Ministério Público sustenta que, entre agosto e novembro de 2022, Zambelli, ciente das habilidades de Delgatti, o contatou com a proposta de invadir sistemas de interesse público, prometendo uma contratação formal em troca.
Além disso, o Ministério Público afirma que Zambelli não apenas autorizou a invasão do sistema do CNJ, mas também participou da elaboração de um mandado de prisão falso contra o Ministro Alexandre de Moraes. O hacker Delgatti alega ter recebido cerca de R$ 40 mil da deputada pela realização da invasão.
Em resposta à condenação proposta pelo ministro Moraes e outros três integrantes da turma, Zambelli expressou sua indignação por meio de uma nota. Ela reiterou a ausência de provas que justificassem sua condenação e afirmou ser alvo de uma perseguição política que ameaça seu nome e os princípios do Estado de Direito. Zambelli enfatizou que o julgamento visa silenciar uma deputada de direita, assegurando que nunca agiu de má-fé e que sua fé na justiça divina permanece inabalável.
A deputada finalizou sua declaração reafirmando seu compromisso com os princípios que a guiaram até aqui, destacando que sua luta não terminará até que a verdade prevaleça.