Após ser retirada do Programa Nacional de Desestatização (PND) há dois anos, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos enfrentou um prejuízo bilionário em 2024, que foi quatro vezes superior ao registrado em 2023, totalizando R$ 597 milhões. Este é o primeiro déficit bilionário da empresa desde 2016 e, em resposta, o governo Lula (PT) está adotando medidas para tentar fortalecer a estatal, que está implementando cortes de gastos que têm gerado descontentamento entre os funcionários.
O salário inicial para os novos carteiros será de R$ 2.429,26. Recentemente, a greve dos trabalhadores dos Correios em São Paulo foi encerrada. Na segunda-feira (12/5), foram anunciadas sete medidas para enfrentar o prejuízo. Entre elas, estão a suspensão das férias e a convocação para o trabalho presencial, que começarão a valer no próximo mês. Além disso, a estatal contraiu empréstimos de duas instituições financeiras no final do ano passado.
A empresa projeta que o plano de redução de custos resultará em uma economia de até R$ 1,5 bilhão em 2025. Também firmou uma parceria com o New Development Bank (NDB) visando captar R$ 3,8 bilhões em investimentos, com o processo já em andamento. Além dos Correios, outras estatais, como a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev) e o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), também foram retiradas do Programa de Desestatização.
Em janeiro de 2025, após a divulgação do déficit de R$ 3,2 bilhões em 2024, o presidente Lula se reuniu no Palácio do Planalto com o presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, para discutir a situação da empresa. A reunião contou ainda com a presença da ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, e da secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior. Santos destacou a necessidade de recuperação da estatal, que foi sucateada antes de sua retirada do programa de privatização. Ele afirmou que a empresa está em processo de recuperação.
Dweck ressaltou que a estatal está se reinventando para se tornar uma empresa de logística nacional, o que requer investimentos em sua infraestrutura tecnológica. Os Correios registraram o maior déficit entre as estatais no ano passado, enquanto outras, como a Casa da Moeda do Brasil e o Serpro, apresentaram déficits, mas também lucros líquidos.
Em dezembro de 2024, a empresa contratou linhas de crédito para capital de giro junto ao Banco ABC e ao Banco Daycoval, através de Cédula de Crédito Bancário (CCB). Com um período de carência de seis meses para o início da amortização, a operação com o Banco ABC foi de R$ 250 mil, enquanto com o Banco Daycoval totalizou R$ 300 mil. Os empréstimos deverão ser quitados em seis parcelas mensais a partir de julho de 2025, com vencimentos programados para novembro e dezembro deste ano, com taxas de CDI + 1,80% a.a. e CDI + 3,296% a.a., respectivamente.
Em nota sobre os resultados fiscais de 2024, a estatal mencionou enfrentar “um legado de sucateamento que requer investimentos e modernização” e destacou que, apesar do prejuízo, foram realizados investimentos de R$ 830 milhões no último ano, focando na renovação de frota, modernização da infraestrutura e ampliação da capacidade tecnológica.