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Santos 4 x 0 Palmeiras no Brasileirão de 1974; a grande noite de Pelé no Parque Antarctica

No dia 20 de abril de 1974, o Parque Antarctica — atualmente conhecido como Allianz Parque — se tornou o cenário de uma das mais memoráveis exibições de Pelé em seus últimos meses vestindo a camisa do Santos Futebol Clube. Durante a 9ª rodada do Grupo B do Campeonato Nacional de Clubes, o Santos aplicou uma goleada de 4 a 0 sobre o Palmeiras, com o Rei do Futebol brilhando e uma performance coletiva que evidenciou a força do Santos, mesmo em um período de transição. O Lance! relembra o confronto entre Santos e Palmeiras do Brasileirão de 1974.

Esse embate reunia duas grandes forças do futebol brasileiro, com o Palmeiras, liderado por Dudu, representando a “Academia” bicampeã nacional, enquanto o Santos contava com Pelé, que se aproximava de sua despedida oficial, agendada para outubro daquele ano. O que se viu em campo, no entanto, foi uma demonstração de superioridade técnica e tática por parte do Santos.

Os gols foram anotados por Brecha, Nenê, Pelé e Fernandinho, que proporcionaram uma verdadeira aula de futebol, silenciando a torcida palestrina e registrando uma das derrotas mais contundentes do Palmeiras na década de 1970. Desde os primeiros minutos, o Santos deixou claro seu propósito de dominar o jogo. Com Mazinho e Nelsi Morais orquestrando as jogadas no meio-campo, a equipe de Pelé controlava a posse de bola e encontrava brechas na defesa do Palmeiras.

Aos 10 minutos, o argentino Brecha abriu o placar, aproveitando um passe preciso de Pelé, um gol que refletia a superioridade tática do Santos, que mantinha suas linhas avançadas, pressionando a saída de bola alviverde. Logo em seguida, aos 20 minutos, Nenê ampliou a vantagem com um belo chute de fora da área: 2 a 0. O Palmeiras, atordoado, tentava reagir por meio de Edu Bala e Nei, mas esbarrava na segurança do goleiro argentino Agustín Cejas e na solidez defensiva de Zé Carlos e Vicente.

A “Academia” de Dudu e Leivinha passava por um processo de reformulação, e a diferença de ritmo entre as equipes era evidente. O primeiro tempo se encerrou com vaias da torcida palmeirense e aplausos irônicos ao toque refinado do Santos.

O segundo tempo foi um espetáculo à parte. Pelé, aos 33 anos, demonstrou toda a sua genialidade. Aos 54 minutos, após receber a bola de Mazinho, o Rei dominou, driblou Sérgio e finalizou com precisão, marcando o terceiro gol e transformando o jogo em um verdadeiro show. Esse momento representou toda a elegância e precisão que o mundo admirava. Mesmo contrariado, o público palmeirense não teve escolha a não ser aplaudir. Era um reconhecimento ao maior jogador da história.

Com a partida já definida, o Santos passou a administrar o jogo, trocando passes com tranquilidade. Aos 83 minutos, Fernandinho selou a goleada com um chute rasteiro no canto esquerdo, após uma jogada coletiva que envolveu quase todo o ataque santista. O 4 a 0 refletiu o domínio absoluto do Peixe em termos de posse, finalizações e postura em campo. A equipe de Pelé e Brecha jogava com leveza, inteligência e uma sintonia que parecia natural, mesmo sem as grandes estrelas da era áurea dos anos 1960.

Esse clássico contra o Palmeiras foi um dos últimos grandes momentos de Pelé antes de sua despedida do futebol brasileiro. Em 1974, o Santos ainda dependia de seu talento e liderança, e o Rei, mesmo com um físico já administrado, continuava a ser decisivo. Além de seu gol, Pelé participou diretamente das jogadas que resultaram em três dos quatro gols do Santos. Sua movimentação entre as linhas confundia a marcação palmeirense, criando espaços para Brecha e Nenê.

A imprensa da época destacou a atuação como “uma aula de arte e técnica”. O jornal A Gazeta Esportiva, na edição seguinte, trouxe a manchete: “Pelé, mesmo ao final da carreira, continua sendo o maior espetáculo do futebol.” Meses depois, em outubro, o Rei faria sua despedida oficial do Santos, em um jogo contra a Ponte Preta, encerrando uma era gloriosa.

O confronto de 1974 também simbolizou o embate entre duas filosofias distintas. O Palmeiras, sob a liderança de Dudu, ainda herdava a tradição da “Academia” dos anos 70, que priorizava a posse de bola e um jogo técnico. Por outro lado, o Santos, mesmo renovado, manteve sua essência ofensiva, buscando o ataque em velocidade e por meio de triangulações curtas. O resultado evidenciou a eficácia do estilo santista. O time de Vanderlei Luxemburgo, que ainda era jogador do Peixe, preservava o DNA da equipe multicampeã que encantou o mundo na década anterior.

A goleada de 4 a 0 teve grande repercussão na mídia e na imaginação dos torcedores. Para o Santos, foi um símbolo de vitalidade — uma prova de que, mesmo após o auge dos anos 1960, o clube continuava competitivo e capaz de grandes feitos. Para o Palmeiras, a derrota funcionou como um alerta. A equipe ainda se recuperava das mudanças no elenco e na comissão técnica, e o resultado expôs fraquezas defensivas e falta de entrosamento.

Mas, acima de tudo, aquele sábado se eternizou como mais uma exibição do Rei. O gol de Pelé e sua atuação contra um rival histórico no Palestra Itália foram um dos últimos grandes capítulos de sua trajetória nos gramados brasileiros.

Data: Sábado, 20 de abril de 1974 – 17h00
Local: Estádio Palestra Itália (Parque Antarctica), São Paulo (SP)
Competição: Campeonato Nacional de Clubes – 1ª Fase, Grupo B, 9ª rodada
Gols: Brecha (10’), Nenê (20’), Pelé (54’), Fernandinho (83’)
Palmeiras: Sérgio; João Carlos, Polaco, Jair Gonçalves e Zeca; Celsinho, Eurico, Dudu e Careca; Nei e Edu Bala. Técnico: Valdir de Moraes
Santos: Agustín Cejas; Bianchi, Zé Carlos, Vicente e Hermes; Nelsi Morais, Mazinho e Brecha; Nenê, Pelé e Fernandinho. Técnico: Pepe

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade