A Copa Conmebol foi criada em 1992 como uma iniciativa da Confederação Sul-Americana, com o intuito de estabelecer um torneio continental intermediário, situado abaixo da Copa Libertadores. O objetivo era dar espaço a clubes bem colocados em suas ligas nacionais que, por algum motivo, não haviam se classificado para a principal competição do continente. Neste artigo, revisitamos a trajetória da Copa Conmebol.
Com um formato simplificado e um apelo para jogos eliminatórios, a competição rapidamente se consolidou como o equivalente sul-americano da antiga Copa UEFA, oferecendo confrontos diretos, viagens desafiadoras, partidas de ida e volta e decisões frequentemente decididas por detalhes como saldo de gols, gol fora (em alguns anos) e pênaltis.
Do ponto de vista técnico, a Conmebol atraiu elencos competitivos e estádios tradicionais. Para muitos clubes, o torneio serviu como uma vitrine internacional e um trampolim para o sucesso, como foi o caso de Lanús, Rosario Central e Talleres, que ganharam destaque continental nos anos 1990, enquanto gigantes brasileiros como Atlético, São Paulo, Santos e Botafogo conquistaram troféus fora de seus países.
Além do prestígio do título, a Copa Conmebol estava interligada a outros eventos do calendário futebolístico: em determinados anos, o campeão tinha acesso à Copa de Oro Nicolás Leoz e à Copa Master da Conmebol, e a edição de 1993 ainda abriu portas para a Recopa Sul-Americana de 1994. Assim, a competição se inseria em um ecossistema maior de torneios nos anos 90.
A era da Copa Conmebol chegou ao fim em 1999. Após ajustar seu calendário e suas transmissões, a Conmebol reestruturou suas competições e, em 2002, introduziu a Copa Sul-Americana, que manteve o mesmo formato e objetivos, oferecendo uma segunda chance continental com critérios de participação mais claros.
Fundada em 5 de agosto de 1992, a Copa Conmebol tinha os seguintes propósitos:
– Manter clubes importantes do continente em atividade internacional durante o segundo semestre;
– Fortalecer a grade de programação televisiva com confrontos equilibrados;
– Democratizar a conquista de títulos fora do domínio dos supercampeões da Libertadores.
Não é surpresa que campeões e finalistas da Conmebol tenham se distribuído por diversas nações: Brasil e Argentina lideram a lista, mas clubes do Paraguai, Uruguai, Colômbia, Chile e Peru também alcançaram fases avançadas.
A estrutura da competição se repetia ao longo dos anos:
– 16 times participantes;
– Eliminações em ida e volta desde as oitavas até a final;
– Classificação baseada no total de gols da eliminatória;
– Em caso de empate, critérios como saldo de gols (e, em alguns anos, gol qualificado) e, se necessário, disputa de pênaltis.
Sem fase de grupos, o torneio priorizava os confrontos diretos, com um calendário compacto e alta intensidade. Os clubes que participavam eram aqueles que ficavam logo abaixo das vagas da Copa Libertadores em seus países. Embora não houvesse uma proibição formal, a prática raramente permitia que um mesmo clube competisse em ambas as competições no mesmo ano. A Conmebol ajustava anualmente a distribuição de vagas entre federações, mantendo a cota de 16 times.
Os campeões foram:
– 1992: Atlético-MG (BRA) venceu o Olimpia (PAR) com um resultado agregado de 2–1.
– 1993: Botafogo (BRA) empatou duas vezes com o Peñarol (URU) (1–1 e 2–2) e conquistou o título nos pênaltis.
– 1994: São Paulo (BRA) fez uma impressionante goleada de 6–1 na ida contra o Peñarol, perdendo na volta por 0–3, mas garantindo o título pelo placar agregado.
– 1995: Rosario Central (ARG) protagonizou uma virada histórica, perdendo a ida para o Atlético-MG por 0–4 e vencendo a volta pelo mesmo placar, triunfando nos pênaltis — uma reviravolta única em finais internacionais.
– 1996: Lanús (ARG) demonstrou maturidade tática ao vencer o Santa Fe (COL) (2–0 e 0–1).
– 1997: Atlético-MG (BRA) teve uma campanha invicta, derrotando o Lanús (4–1 e 1–1).
– 1998: Santos (BRA) controlou sua série diante do Rosario Central (1–0 e 0–0).
– 1999: Talleres (ARG) conquistou o título sobre o CSA (BRA) com um agregado de 2–4 e 3–0, encerrando a história do torneio em grande estilo.
No total, o Atlético-MG se destacou como o maior campeão, com dois títulos (1992 e 1997), enquanto o Brasil acumulou cinco troféus e a Argentina, três.
A competição foi um palco para o surgimento de grandes nomes na década:
Valdir Bigode (Atlético-MG) se destacou como o maior artilheiro histórico do torneio, com 11 gols ao longo de diferentes edições. Artistas de cada edição incluíram Aílton (Atlético-MG, 1992), Sinval (Botafogo, 1993), Martín Rodríguez (Peñarol, 1994), Oscar Mena (Lanús, 1996), e muitos outros.
Emerson Leão se destacou como o treinador mais vitorioso, conquistando títulos com o Atlético-MG (1997) e com o Santos (1998). Algumas séries se tornaram lendárias devido a goleadas e reviravoltas, como São Paulo 6–1 Peñarol (final de 1994) e Atlético-MG 10–0 Mineros de Guayana (1995) nas oitavas de final.
Diversos clubes levantaram o troféu na sua primeira participação, incluindo Atlético-MG (1992), Rosario Central (1995), Botafogo (1993), São Paulo (1994), Santos (1998) e Talleres (1999). O Atlético-MG de 1997 conquistou o título de forma invicta, enquanto o Peñarol se destacou como o vice mais recorrente (1993 e 1994).
A final entre Lanús e Atlético-MG em 1997 teve a maior diferença de gols na soma geral entre campeões argentinos e brasileiros da era Conmebol (5–2).
Após 1999, a Conmebol descontinuou o torneio e, em 2002, apresentou a Copa Sul-Americana, que herdou a essência da Conmebol: um caminho anual significativo para clubes que não participam da Libertadores, com confrontos eliminatórios intensos e uma distribuição mais ampla de vagas. Por sua estrutura, propósito e relevância no calendário, a Copa Conmebol é lembrada como a precursora da Sul-Americana, além de ser uma década repleta de histórias que ampliaram a visibilidade de novos emblemas no cenário continental.