Um atleta que entra como substituto e já soma 13 gols na atual temporada, além de ter contribuído diretamente para mais oito em 21 partidas no Campeonato Brasileiro, certamente é um ativo valioso. No entanto, a figura de Gabigol frequentemente é superdimensionada e alvo de intenso escrutínio, como se estivesse no ocaso de sua carreira ou tivesse perdido a capacidade de jogar. Já ouvi críticas de que ele atrapalha contra-ataques, está sempre em posição de impedimento ou aparenta estar fora de forma. É importante reconhecer que é desafiador se destacar quando se tem poucas oportunidades em campo ou quando se é escalado nos minutos finais de um jogo.
A questão dos salários afeta consideravelmente as avaliações sobre Gabi. Comentários como “não justifica esse valor” são comuns… Mas como justificar a exclusão do artilheiro do Brasileirão e um atleta que está na mira de Ancelotti para a Seleção? Kaio Jorge conquistou seu espaço em campo — e isso é uma dinâmica natural no futebol. Contudo, isso não diminui o valor ou a importância de Gabigol.
É verdade que outro jogador está em melhor fase e merece a titularidade, mas, honestamente, às vezes me pego pensando que Gabigol poderia ter um papel mais proeminente no ataque do Cruzeiro. O problema reside no sistema tático de Jardim, que restringe a atuação do jogador como segundo atacante, por exemplo.
Entretanto, é importante ressaltar que isso não significa que Gabigol não possa ser a peça-chave do ataque na próxima temporada — principalmente considerando as possíveis movimentações no mercado de transferências para o clube celeste, com a Libertadores à vista. Gabigol já teve um papel decisivo na competição continental em duas ocasiões e é o brasileiro com mais gols na história do torneio, totalizando 31.
Não percebo em Gabigol falta de empenho ou desinteresse quando entra em campo. Mesmo em uma situação peculiar, dado o esforço do Cruzeiro para sua contratação, ele sempre demonstra energia e compromisso com o time, algo que é evidente também em suas redes sociais.
Ademais, levando em conta a série de preconceitos que cercam o jogador, Gabi tem mostrado uma postura tranquila, serena e longe das controvérsias que marcaram o final de sua passagem pelo Flamengo.
Agora, resta observar como essa história se desenrolará até o término da temporada. No entanto, reafirmo que há mais aspectos positivos nessa relação — que poderiam, sim, ser melhor explorados em termos de tempo de jogo.