À primeira vista, Tilly Norwood parece uma combinação inusitada de Gal Gadot, Ana de Armas e Vanessa Hudgens da época de High School Musical. No entanto, Tilly não é uma pessoa real; ela é uma criação do estúdio de talentos digitais Xicoia, apresentada no festival de cinema de Zurique neste último fim de semana como uma possível nova direção para a indústria do entretenimento.
O que ocorreu
Considerada a “próxima Scarlett Johansson”, Tilly já conta com uma agência que a representa e estúdios que demonstram interesse em escalá-la — embora, até o momento, sua carreira se limite a um único esquete de comédia gerado por inteligência artificial, intitulado AI Commissioner.
“Posso ser gerada por IA, mas estou sentindo emoções muito reais agora. Estou muito animada para o que vem por aí!”, declarou Tilly Norwood em sua página do Facebook.
A notícia não foi bem recebida por muitos atores de Hollywood. Melissa Barrera, da franquia Pânico, expressou seu descontentamento em seus stories do Instagram: “Espero que todos os atores representados pelo agente que faz isso se danem”. Por sua vez, Mara Wilson, de Matilda, questionou: “E quanto às centenas de jovens mulheres vivas cujos rostos foram utilizados para criar essa personagem? Você não poderia contratar nenhuma delas?”.
Sindicais também se manifestaram contra essa nova abordagem. O Sag-Aftra, que representa atores de cinema e televisão nos Estados Unidos, considerou Tilly uma representação de atuações usurpadas e enfatizou que a criatividade deve permanecer nas mãos de humanos. “Para deixar claro, ‘Tilly Norwood’ não é uma atriz, mas um personagem gerado por um software que foi alimentado com o trabalho de diversos artistas, sem a devida autorização ou compensação”, afirmou em um comunicado.
Os criadores de Tilly, no entanto, defendem a iniciativa como mais uma ferramenta narrativa, comparável à animação, CGI ou até mesmo ao teatro de fantoches. “Criar Tilly foi, para mim, um ato de imaginação e habilidade, assim como desenhar um personagem, escrever um roteiro ou moldar uma performance. É um processo que exige tempo, talento e repetição para dar vida a uma figura como essa”, comentou Eline Van Der Velden, CEO da Particle6, produtora do curta-metragem que apresentou a ‘atriz’.