Jimmy Kimmel retornou ao seu programa na terça-feira (23) após um período conturbado. O ‘Jimmy Kimmel Live!’ havia sido suspenso em 17 de setembro, após declarações sobre o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk.
No seu retorno, Kimmel usou seu monólogo para expressar gratidão pelo apoio que recebeu. Ele admitiu que parte de suas declarações foi mal interpretada e reiterou que nunca teve a intenção de tratar o crime de forma leviana ou atribuir a culpa a grupos específicos.
“Em momento algum quis desmerecer a morte de alguém tão jovem. Não vejo graça em uma situação dessas. E não foi minha intenção responsabilizar qualquer grupo pelas ações de um indivíduo que claramente apresenta sérios distúrbios. Isso vai contra tudo que eu pretendia comunicar”, afirmou Jimmy Kimmel.
Enquanto sua volta era celebrada pelo público, a controvérsia continuava a gerar repercussões fora dos estúdios. Duas das principais afiliadas da ABC, Nexstar e Sinclair, haviam retirado o programa do ar em mais de 60 canais — representando um quarto das residências com TV nos EUA, incluindo grandes áreas metropolitanas como Washington, D.C. e Seattle. Os moradores dessas localidades só puderam acompanhar o programa via Hulu ou clipes no YouTube na quarta-feira. Essa decisão foi tomada após a pressão do presidente da FCC (Comissão Federal de Comunicações), Brendan Carr, que ameaçou investigar e até rever licenças de transmissão se as declarações de Kimmel continuassem sendo veiculadas.
Essa reação gerou um alerta na indústria do entretenimento. Aproximadamente 400 artistas, roteiristas, músicos e cineastas assinaram uma carta aberta, organizada pela União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), denunciando a suspensão como um ataque à liberdade de expressão. Nas redes sociais, fãs chegaram a cancelar assinaturas de serviços da Disney em protesto.
Entre as vozes que se manifestaram sobre o tema, está Joe Rogan. O podcaster, que apoia a candidatura de Donald Trump em 2024, criticou severamente os conservadores que celebraram a suspensão. Em seu programa, The Joe Rogan Experience, ele argumentou que apoiar esse tipo de censura governamental pode ser um erro: “hoje um comediante progressista é alvo, amanhã será a própria direita”. Para Rogan, permitir que o governo controle o que pode ou não ser dito em um monólogo é uma completa “loucura”.
“O problema são as empresas. Se elas estão sendo pressionadas pelo governo, e se isso for verdade, e as pessoas da direita disserem: ‘Sim, vamos atrás delas’. Meu Deus, vocês estão fora da realidade. Apoiar isso é uma loucura, porque isso será usado contra vocês”, ressaltou Joe Rogan.
Outros políticos republicanos também se alinharam a essa perspectiva. Senadores como Rand Paul e Ted Cruz, que frequentemente criticam Kimmel, também condenaram a postura da FCC, defendendo que o governo não deve intervir em discursos políticos — mesmo que proferidos por um comediante.
No palco, Kimmel não se esquivou das críticas. Ele afirmou ter sempre acreditado que sua liberdade de expressão estava garantida. “Era algo que eu considerava certo até que tiraram meu amigo Stephen [Colbert] do ar e tentaram forçar as afiliadas que transmitem nosso programa nas cidades onde vocês vivem a suspender meu programa. Isso não é legal. Isso não é americano. Isso é antiamericano”.