“Ágil e incisivo, como o ataque do Cruzeiro.” Essa expressão, durante um bom tempo, se tornou popular entre os torcedores da equipe celeste, que a usavam para ilustrar o estilo de jogo do clube: rapidez e objetividade. Sob a direção do técnico Leonardo Jardim, essa abordagem foi reintroduzida ao time azul, e as estatísticas do Campeonato Brasileiro evidenciam como a capacidade de ir “direto ao ponto” se tornou, de fato, a essência da equipe.
O site de estatísticas Sofascore realizou um estudo sobre a quantidade média de toques que cada equipe necessita para balançar as redes no Brasileirão. O resultado mostrou que o Cruzeiro é o clube que menos passes precisa realizar para marcar gols, conforme a análise. Os dados indicam que a Raposa precisou de 177 passes para atingir seus 37 gols durante a competição.
Para ilustrar a objetividade do Cruzeiro, vale destacar que a equipe supera consideravelmente seus dois concorrentes diretos na parte alta da tabela do Campeonato Brasileiro: Flamengo e Palmeiras. O Palmeiras, que ocupa a terceira posição na lista de eficiência de passes e também na tabela, precisou de uma média de 224 passes para marcar cada um dos seus 32 gols, 47 a mais do que o Cruzeiro. Já o Flamengo, líder do campeonato e o quarto mais eficiente em termos de passes, precisou de 243 toques para alcançar cada um dos 47 gols marcados.
Uma curiosidade é que os quatro primeiros colocados da tabela do campeonato são exatamente os que apresentam os melhores números de objetividade com a bola nos pés. Junto ao Cruzeiro e aos clubes de Flamengo e Palmeiras, o Mirassol, quarto na classificação, é o segundo time que menos toques precisa para marcar: foram necessários 189 passes para cada um dos 39 gols anotados.
Além disso, outro dado que reforça a eficácia da objetividade do Cruzeiro é que a maioria das vitórias da equipe no Brasileirão ocorreu em partidas nas quais o time teve menos posse de bola. Das 14 vitórias conquistadas, 12 aconteceram quando os adversários controlaram mais a posse. Nos jogos em que a Raposa teve menos a bola, o aproveitamento foi impressionante, alcançando 84,4% (com 12 vitórias, um empate contra São Paulo e uma derrota para o Internacional).
Por outro lado, quando o Cruzeiro ficou mais com a posse do que os oponentes, o desempenho foi notavelmente inferior. Em oito confrontos em que o time teve a iniciativa do jogo, obteve apenas duas vitórias, três empates e três derrotas, resultando em um aproveitamento de 37,5%.
Os números de posse e finalizações em alguns desses jogos destacam essa dinâmica: na partida contra o Mirassol, onde a posse foi de 44% para o Cruzeiro e 56% para o adversário, a equipe finalizou 8 vezes contra 16 do Mirassol. Já no duelo contra o Internacional, a posse foi esmagadora em 68% para os gaúchos, que finalizaram 24 vezes contra apenas 6 do Cruzeiro. Em contrapartida, na vitória de 3 a 0 sobre o Bahia, a Raposa teve apenas 39% de posse, mas finalizou 14 vezes, enquanto o Bahia registrou 7 tentativas.
Esses dados evidenciam como a estratégia de ser efetivo e objetivo no ataque tem sido fundamental para o sucesso do Cruzeiro no campeonato.