O presidente Lula (PT) anunciou um luto oficial de três dias em todo o Brasil em respeito à morte do renomado escritor Luis Fernando Veríssimo, que faleceu neste sábado aos 88 anos.
O decreto foi publicado em uma edição especial do Diário Oficial da União. O Palácio do Planalto ressaltou a notável trajetória de Veríssimo, reconhecido como “um dos mais proeminentes cronistas do país”, com um acervo de mais de 70 obras e 5,6 milhões de exemplares vendidos.
Em suas redes sociais, Lula expressou seu pesar pela perda do autor, elogiando-o como “um homem de múltiplos talentos” que criou “personagens marcantes” que cativaram “milhares de leitores em todo o Brasil”. O presidente também enfatizou a habilidade de Veríssimo em retratar a sociedade com humor por meio de sua literatura, além de sua relevante contribuição na luta contra o autoritarismo. “Ele soube empregar a ironia para criticar a ditadura e o autoritarismo, defendendo a democracia. Eu e Janja enviamos nossas condolências à viúva Lúcia Veríssimo e a todos os seus familiares”, afirmou.
Luis Fernando Veríssimo faleceu devido a complicações decorrentes de uma pneumonia. De acordo com a assessoria do Hospital Moinhos de Vento, onde o escritor estava internado, sua morte ocorreu às 0h40 deste sábado (30). O velório será realizado na Assembleia Legislativa de Porto Alegre, às 12h de hoje.
Veríssimo lançou seu primeiro livro em 1973, intitulado “O popular: crônicas, ou coisa parecida”, que reúne textos publicados em jornais, acompanhados de ilustrações feitas por ele mesmo. O autor guardou uma cópia da primeira edição com uma dedicatória a si: “Para o autor dos meus dias e outras grandes obras? Um abraço, Luis Fernando. Porto Alegre, 11/12/73”. Essa edição agora integra o acervo da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, em Porto Alegre.
Ao longo de sua vida, escreveu dezenas de livros, entre os quais se destacam “A Mesa Voadora” (1982), “O Jardim do Diabo” (1988, seu primeiro romance), “As Mentiras que os Homens Contam” (2000) e “Comédias para Se Ler na Escola” (2001).
Nos últimos anos, Veríssimo enfrentou sérios problemas de saúde. Em 2020, foi diagnosticado com câncer ósseo na mandíbula, submetendo-se a uma cirurgia que teve sucesso. No entanto, no ano seguinte, sofreu um AVC que o impediu de continuar escrevendo. As sequelas desse evento, somadas ao avanço da doença de Parkinson, agravaram sua condição de saúde.