O confronto entre Cruzeiro e São Paulo, realizado no Campeonato Brasileiro de 1997, possuía um contexto intrigante. Enquanto o Tricolor paulista buscava sua primeira vitória na competição, o Cruzeiro levava um histórico impressionante no Mineirão, onde não conhecia derrotas em partidas do Brasileiro desde 1995, e já completava mais de 20 anos sem perder para o São Paulo em casa. Relembre o jogo que terminou com Cruzeiro 0 x 5 São Paulo no Brasileirão de 1997.
A expectativa era alta entre os torcedores. O São Paulo, sob o comando de Dario Pereyra, optou por uma formação considerada defensiva, alinhando apenas Dodô no ataque com um 4-5-1. O Cruzeiro, dirigido por Paulo Autuori, enfrentava desfalques de quatro titulares, mas ainda contava com atletas de destaque como Dida, Marcelo e Elivélton.
Os primeiros momentos da partida mostraram um São Paulo um tanto nervoso, que cometeu diversas faltas e recebeu três cartões amarelos em apenas seis minutos. Apesar da insegurança inicial, o time conseguiu chegar ao ataque e teve boas oportunidades, mas não conseguiu abrir o placar.
Por outro lado, o Cruzeiro, mesmo com mais posse de bola, não conseguia transformar sua presença no campo ofensivo em chances efetivas contra o goleiro Rogério Ceni.
A mudança no jogo ocorreu aos 30 minutos. Após um passe de Fabiano, Dodô driblou Dida e foi derrubado na área, resultando em um pênalti que ele mesmo converteu. Esse foi o começo de uma noite memorável.
Aos 38 minutos, Dodô voltou a brilhar, desta vez com um cabeceio após um cruzamento de Cláudio, ampliando a vantagem. E aos 42 minutos, ele executou uma falta com maestria, marcando o seu terceiro gol e encerrando um primeiro tempo histórico.
Com três gols em um intervalo de menos de 15 minutos, Dodô posicionava o São Paulo de forma confortável, silenciando a torcida cruzeirense e desmantelando a defesa do time da casa.
Se o primeiro tempo já era especial, o segundo se tornou lendário. Logo aos cinco minutos, Dodô aproveitou um cruzamento de Denílson e fez o quarto gol de cabeça. Apenas quatro minutos depois, aos nove, ele recebeu um passe, finalizou com a perna esquerda e marcou o quinto, selando a goleada.
Com cinco gols em uma única partida, Dodô se destacava como artilheiro do Brasileirão, acumulando seis gols na competição. Seu repertório de jogadas foi impressionante, incluindo pênalti, cabeceio, falta e finalizações com ambas as pernas, em uma noite que ficaria gravada na memória dos torcedores são-paulinos.
O Cruzeiro, já debilitado por lesões, não conseguiu reagir ao domínio do rival. Teve uma oportunidade de diminuir o placar aos 40 minutos do segundo tempo, mas Marcelo perdeu um pênalti defendido por Rogério Ceni, simbolizando a má fase da equipe.
Com essa vitória, o São Paulo não apenas quebrou a invencibilidade do Cruzeiro em casa no Brasileiro, mas também reafirmou sua superioridade em mais de 20 anos sem perder para o rival em Belo Horizonte.
A goleada teve grande repercussão no cenário nacional. Dodô, que vinha se destacando no Campeonato Paulista, alcançava a impressionante marca de 32 gols em 33 partidas no ano, praticamente garantindo sua convocação para a Seleção Brasileira, com o técnico Zagallo observando seu desempenho de perto.
Nos bastidores, o São Paulo também movimentava o mercado, anunciando reforços como o meia Reinaldo, vindo do União São João, e estava prestes a confirmar a chegada do lateral-direito Chiquinho. Além disso, estava em vias de oficializar uma parceria com a Cragnotti e Partners, empresa italiana proprietária da Lazio, que garantiria investimentos e prioridade na contratação do jovem Denílson.
Cruzeiro 0 x 5 São Paulo – Campeonato Brasileiro 1997
Data: 10 de agosto de 1997
Local: Estádio do Mineirão, Belo Horizonte (MG)
Árbitro: Francisco Dacildo Mourão (CE)
Renda: R$ 78.887,00
Público: 9.224 pagantes
Gols: Dodô (32’, 38’ e 42’ do 1ºT; 5’ e 9’ do 2ºT)
Cartões amarelos: Cleison, Gustavo e Dida (Cruzeiro); Edmílson, Rogério Pinheiro, Serginho e Fábio Aurélio (São Paulo)
Escalações:
Cruzeiro: Dida; Ricardo, Odair, Célio Lúcio e Gustavo (Fábio); Fabinho, Ricardinho, Cleison e Caio; Marcelo e Elivélton. Técnico: Paulo Autuori.
São Paulo: Rogério Ceni; Cláudio, Rogério Pinheiro, Álvaro e Serginho; Edmílson, Belletti (Alexandre), Fábio Aurélio, Fabiano (Luiz Carlos) e Denílson (Marcelinho); Dodô. Técnico: Dario Pereyra.