O documentário intitulado “Becoming Madonna” acaba de ser lançado no Universal+. Com base exclusivamente em áudios de entrevistas e filmagens da trajetória da artista, sem qualquer narração, a obra narra os anos iniciais da carreira de Madonna, que foram fundamentais para consolidá-la como a figura icônica que é hoje.
Em conversa com a Splash, o diretor Michael Ogden e a produtora Helen Carr compartilharam detalhes sobre o desenvolvimento do filme e a importância da artista no panorama cultural.
Superfã de Madonna, Carr foi a responsável pela pesquisa de arquivos, um trabalho que levou cerca de um ano. Ela dedicou inúmeras horas a ouvir entrevistas e a buscar clipes para descobrir “joias” da cantora. Além disso, entrou em contato com diversos jornalistas e admiradores para coletar gravações raras e fitas de entrevistas, algumas nunca antes divulgadas.
Conseguimos alguns clipes de Madonna na época da faculdade, enquanto ela praticava balé. Conhecia dois deles, mas um terceiro consegui conversar com um professor que estudou com ela. Pedi: ‘Oi, você poderia procurar essa gravação? Você acha que pode tê-la? Continue tentando’. Não desisti e só consegui essa gravação uma semana antes de finalizarmos o filme. É o vídeo mais raro, e talvez passe despercebido, pois é bem curto. Helen Carr
O desafio encontrado foi retratar a vida de Madonna unicamente por meio de arquivos, sem narração ou entrevistas novas. “Se Madonna nunca comentou sobre um tema em uma entrevista em áudio, não poderíamos incluí-lo no filme. Ela quase determina o que aparece. No entanto, vejo isso como uma bênção, pois ela aborda esses temas no momento em que ocorreram”, explica Carr.
O documentário ressalta as inovações de Madonna, como sua defesa da liberdade sexual. As imagens mostram desde uma Madonna jovem e confiante em seu talento até uma artista mais audaciosa, que gerou debates com sua apresentação de “Like a Virgin” no VMA, além do clipe de “Like a Prayer” e o lançamento do livro “Sex”.
Madonna exala confiança. Ela transmite a ideia de que não é necessário pedir permissão, que não se precisa de um ‘sim’ ou ‘não’ de um homem. Em certa fase, ela trabalhou com uma equipe inteiramente feminina, o que é extremamente poderoso. Sua música é sensual e progressista para as mulheres. O que a torna única é que ela é magnífica, forte, e há uma pitada de masculinidade em sua presença. É fascinante. Michael Ogden
Um dos pontos altos do documentário é o apoio de Madonna à comunidade LGBTQIA+ em um período em que a AIDS gerou uma onda de preconceito e desinformação. “Madonna se manifesta com frequência sobre isso e responde a jornalistas que afirmam: ‘Isso pode prejudicar você e sua carreira’, algo que realmente afetou muitas pessoas”, comenta Ogden.
É fácil esquecer que ela fez isso, e foi uma ação incrivelmente poderosa. Ela foi uma força vital na comunidade ‘queer’ de Nova York em um momento em que a epidemia estava devastando vidas. Espero que o filme reconheça o crédito que ela merece, porque isso tem sido um pouco negligenciado. Michael Ogden
“Becoming Madonna” encerra com o livro “Sex”, onde a cantora expõe suas fantasias e posa para fotos provocativas, representando o ponto em que Madonna “encontra sua voz e mensagem”. “Ela transmite a ideia de que não há motivo para vergonha. Você pode se libertar, ser quem realmente é. Essa é a mensagem principal no final e foi um encerramento perfeito para o filme”, diz o diretor.
Para Ogden, não veremos ícones como Madonna, Cher e Tina Turner novamente, pois surgiram em um contexto social e histórico distinto. “Não creio que existam pessoas quebrando tabus e rompendo barreiras como ela fez. Quais limites temos agora? Não sei. Ela estava no lugar e na hora certos para fazer isso. Contudo, o mundo está mudando, e talvez precisemos de alguém assim novamente no futuro”, reflete.
Descrever Madonna é um desafio. Ela transcende a figura humana, tornando-se uma emoção, de certa forma. Madonna está em constante evolução e continua a se reinventar. Michael Ogden
“Becoming Madonna” já pode ser assistido na plataforma de streaming Universal+.