Em uma conversa no podcast “Conversa Vai, Conversa Vem”, do jornal O Globo, Alexandre Nero compartilha suas reflexões sobre sua formação e atitudes passadas em relação às mulheres. Ele admite ter sido “muito babaca” e reconhece que cresceu em um ambiente machista. “Fui escroto em diversas ocasiões. É lamentável. Venho de uma época em que era comum pensar ‘olha a mulher ali, a gostosa’. Minha primeira experiência sexual foi em um prostíbulo, com meu pai me pressionando. É um ciclo que precisa ser rompido. Meus filhos não enfrentarão isso. Não me considero um feminista, pois ainda carrego traços machistas que preciso trabalhar constantemente. O machismo é devastador e prejudica a todos nós. Quando homens falam sobre isso, costumo dizer: ‘Seja egoísta e pense em nós mesmos, isso nos faz mal’.”
Ele também menciona suas experiências de impotência, revelando que já passou por isso “milhões de vezes”. “Isso depende da mulher. Às vezes, fico envergonhado, em outras, consigo rir. A idade influencia, claro. Faço parte de um meio artístico que permite uma maior liberdade. Não tenho problema em admitir que uso maquiagem.”
Nero fala sobre a perda de sua mãe aos 17 anos, um evento que o transformou em um pai muito cauteloso. “Essa é uma luta constante para mim. Vejo tudo como uma tragédia. A cada situação, sou o tipo que diz ‘não, calma, não faça isso’. Fico preocupado com tudo, sempre imagino que algo pode dar errado. Sempre que viajamos de avião, fico pensando: ‘Meu Deus!’. Quando meus filhos fazem algo incrível, sinto: ‘Se meu pai estivesse aqui, ele adoraria’. Isso traz uma dor, mas sou quem sou por causa dessa experiência. Sou esse artista, esse pai do Noá e do Inã, por conta dessa tragédia na minha vida. Se não tivesse acontecido, meu caminho teria sido bem diferente.”
O ator também menciona que não sentiu amor instantâneo por seus filhos ao nascerem. “Quando meu primeiro filho nasceu, olhei para ele e pensei: ‘Onde está aquele sentimento? Não estou sentindo nada, parece um porquinho’. Somente com o tempo e a convivência consegui entender o amor. Com o Inã, levei ainda mais tempo para sentir isso, pois ele é mais inquieto e difícil. Chegou um momento em que percebi: ‘Não amo esse garoto ainda’. Mas, depois de cuidar dele, trocá-lo, sentir seu cheiro, o amor foi crescendo. As demonstrações de carinho começaram a surgir e eu pensei: ‘Esse moleque está me conquistando’. Estou certo de que o amor é algo que se constrói ao longo do tempo.”