Às vezes, a sorte vem em forma de repetição. Pode demorar mais de vinte anos, mas acontece! Esse é o caso de “Uma Sexta-Feira Ainda Mais Louca”, que traz de volta Jamie Lee Curtis e Lindsay Lohan em uma comédia descontraída, emocionante e que provoca aquele calorzinho nostálgico no coração.
A receita para repetir o sucesso é bem simples: manter a fórmula. Em 2003, Jamie e Lindsay interpretavam mãe e filha em conflito, vivendo em constante desentendimento. Um feitiço inusitado as fez trocar de corpos, permitindo que, ao vivenciarem a vida uma da outra, pudessem se compreender melhor e fortalecer seus laços. Com a magia desfeita, risadas e lágrimas surgem enquanto os créditos sobem.
Este novo filme é uma refilmagem de “Se Eu Fosse Minha Mãe”, lançado em 1976 com uma jovem Jodie Foster. “Sexta-Feira Muito Louca” evoluiu de uma comédia leve de verão a um verdadeiro fenômeno cultural. Uma nova geração, a Geração Z, encontrou na história um reflexo de suas próprias vivências: a trilha sonora, a moda, os romances, as gírias e o humor. Do sucesso nas telonas, o filme ganhou uma nova vida em DVD, e a história continuou a ser contada.
Porém, a trajetória de Lindsay Lohan foi marcada por desafios que poderiam ter dificultado essa nova fase. “Sexta-Feira Muito Louca” e “Garotas Malvadas” a estabeleceram como uma das atrizes mais requisitadas de sua geração, mas sua vida pessoal tumultuada, cercada por paparazzi e problemas com álcool e drogas, ofuscou sua carreira. Em 2007, a atenção da mídia se voltou para sua vida agitada, fazendo com que seus papéis na tela diminuíssem. Em 2014, sua carreira se resumia a documentários sobre suas lutas pessoais e alguns projetos esporádicos.
A reviravolta aconteceu em 2021, quando Lindsay, recuperada, firmou um contrato com a Netflix para uma série de filmes. Embora não tenham sido obras-primas, esses projetos ajudaram a reerguer sua carreira. Jamie Lee Curtis, agora uma atriz premiada, nunca perdeu de vista a amiga, e quando a oportunidade de uma reunião surgiu, elas estavam prontas para brilhar novamente.
Assim chegamos a “Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda” (um título que poderia ser mais curto). Anos após a experiência que as fez trocar de corpos, a psicóloga Tess Coleman (Jamie Lee Curtis) se tornou uma superavó, enquanto sua filha Anna (Lindsay Lohan) se dedica à maternidade solo e à carreira em uma gravadora. Anna enfrenta os desafios de criar sua filha adolescente, a impulsiva Harper (Julia Butters).
A situação complica quando Anna se apaixona por Eric (Manny Jacinto), um viúvo inglês. O plano de casamento, que envolve uma mudança para Londres, não agrada nem a Harper, nem a Lily (Sophia Hammons), a filha de Eric, que imediatamente vê sua futura meia-irmã como uma rival.
A “maldição” familiar retorna e, antes do casamento, as trocas de corpo acontecem novamente: Tess se transforma em Lily e Anna em Harper. Agora, as duas adolescentes, no corpo de adultas, tentam sabotar a cerimônia para que Harper fique em Los Angeles e Lily retorne com o pai para Londres. A adolescência é complicada!
O roteiro original é uma reprodução fiel sob a direção de Nisha Ganatra, onde o choque se torna um plano que, no fim, fortalece os laços familiares. Enquanto isso, Anna se vê envolvida em confusões profissionais (ajudando uma estrela pop em crise) e reencontra um antigo amor (Chad Michael Murray), tudo em meio a uma Los Angeles que parece um sonho e a um enredo que apresenta várias lacunas.
Entretanto, a falta de lógica que caracterizava o filme de 2003 não prejudica a fluidez da nova aventura em 2025. O que realmente brilha é o reencontro de Jamie Lee Curtis e Lindsay Lohan, que continuam a encarnar seus personagens com a mesma entrega de antes. A química entre elas permanece afiada, assim como o humor e a disposição para embarcar em cenas absurdas.
Talvez o maior atrativo de “Uma Sexta-Feira Ainda Mais Louca” seja a sua capacidade de abraçar o absurdo sem se levar a sério. Trata-se de um filme previsível, mas extremamente divertido, que promete duas horas de entretenimento genuíno para os millennials que pensam que sabem tudo e para aqueles que, imersos no primeiro filme, aprenderam algumas lições ao longo das últimas duas décadas. E chorar? Isso também é bem-vindo!