Na obra “Amores Materialistas”, o personagem Harry, interpretado por Pedro Pascal, menciona ter passado por uma cirurgia de alongamento ósseo para adicionar 15 centímetros à sua altura. Embora possa parecer uma invenção da ficção, esse procedimento controverso realmente existe.
Como o alongamento ósseo é realizado
Inicialmente criado para corrigir desníveis no comprimento dos ossos ou tratar condições como o nanismo, esse método foi adaptado por centros especializados que visam o aumento de estatura. A cirurgia é invasiva e envolve a fratura do fêmur ou da tíbia — ou até de ambos — para promover um ganho em centímetros.
O processo começa com um orifício nos ossos da perna, seguido pela separação dos mesmos. Uma haste metálica é inserida cirurgicamente e fixada com parafusos. Gradualmente, essa haste é estendida em até um milímetro por dia, até que o paciente alcance a altura desejada, permitindo que os ossos cicatrizem.
A dor é intensa?
Sim, a dor é significativa. Desde a cirurgia até o período de recuperação, os pacientes enfrentam um grande desconforto. A técnica de osteogênese por distração pode causar dor na área onde a pele se conecta aos pinos de Schanz e fios de Kirschner, devido à tração. No entanto, a dor geralmente não está presente no osso em si. Quando ocorre, é essencial considerar a possibilidade de uma fratura, conforme explica Thiago Barros, ortopedista consultado.
Quem é indicado para essa cirurgia?
O procedimento é geralmente recomendado para situações específicas, como deformidades ósseas — como uma perna mais longa que a outra — ou nanismo. Contudo, seu uso para fins estéticos tem gerado controvérsias e preocupações. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a cirurgia apenas para casos de nanismo ou condições similares.
Quais são os riscos envolvidos?
Profissionais de saúde alertam sobre os riscos associados a procedimentos invasivos para motivos estéticos. Entre as complicações potenciais estão danos nervosos, embolias arteriais e a chance de os ossos não se fundirem adequadamente. Apesar de avanços nas técnicas e tecnologias para mitigar riscos, a complexidade do procedimento persiste. Além do crescimento ósseo, é necessário que músculos, nervos e vasos sanguíneos também se desenvolvam adequadamente. Além disso, especialistas destacam os possíveis impactos psicológicos, como a dismorfia corporal.
Um fenômeno crescente entre homens
Fora do Brasil, clínicas relatam um aumento na busca pelo alongamento de pernas, especialmente entre homens. Muitos buscam melhorar a autoconfiança, citando que, frequentemente, mulheres não se relacionam com homens mais baixos. Esse desejo está ligado a pressões sociais, onde dados da revista Forbes indicam que a altura média das 500 pessoas mais ricas do mundo é de 182 cm. Assim, a estética de ser mais alto muitas vezes se sobrepõe ao bem-estar físico e mental, exigindo que aqueles que consideram a cirurgia compreendam que é um procedimento complexo, dispendioso, de alto risco e que requer um extenso acompanhamento durante a recuperação, sob a supervisão de profissionais qualificados.
*Com informações de reportagens publicadas em 15/05/2023 e 29/11/2022.