Em uma era em que a televisão tem priorizado de maneira exagerada a juventude e a estética, impulsionadas por milhões de seguidores nas redes sociais em detrimento do verdadeiro talento, ter Tony Ramos em uma novela é, sem dúvida, um privilégio raro. Com a saída de nomes como Antônio Fagundes, Lima Duarte, Regina Duarte, Laura Cardoso e Glória Menezes das telinhas, e a presença cada vez mais esporádica de Susana Vieira e Glória Pires nos folhetins, Tony Ramos se destaca como um dos últimos representantes dos tempos gloriosos da teledramaturgia, continuando a atuar regularmente desde a década de 1970. Hoje, ele brilha na novela “Dona de Mim”, exibida às sete da Globo.
Na trama, que gira em torno dos dilemas amorosos de Leo (Clara Moneke), Tony Ramos se tornou o verdadeiro protagonista de “Dona de Mim”. Seu personagem, Abel, é responsável pelas principais reviravoltas da história, e o ator se destaca nas cenas mais impactantes do folhetim. Desde suas interações com a jovem Elis Cabral até os momentos compartilhados com Camila Pitanga, Claudia Abreu, Marcello Novaes e Suely Franco, Tony toca o coração do público. Ele é a essência emocional de “Dona de Mim”. Por isso, a decisão de Rosane Svartmann de eliminar seu personagem exige uma coragem admirável.
Como roteirista, reconheço que certas escolhas são fundamentais para a evolução de uma narrativa, mas abrir mão da presença de Tony Ramos em uma novela é um ato de desprendimento notável. O ator é a personificação da teledramaturgia brasileira e uma das poucas unanimidades da televisão. Além de sempre oferecer atuações excepcionais que elevam qualquer história, ele estabelece uma conexão visceral com os telespectadores e recebe elogios de todos que tiveram a honra de trabalhar ao seu lado.
Nós, fãs fervorosos de novelas, esperamos que “Dona de Mim” tenha muitas surpresas reservadas para manter a trama em movimento, pois a ausência de Abel certamente deixará um vazio na narrativa e em nossos corações.