Em “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos”, a ameaça cósmica não se apresenta como uma invasão hostil, ao contrário do que vimos em “Os Vingadores”, nem como um vilão genocida como Thanos ao final da primeira saga cinematográfica da Marvel. Galactus, essa entidade cósmica que se alimenta da energia de planetas que consome, não é um ser maligno, mas sim uma força da natureza.
Ralph Ineson, que dá vida e voz a esse colossal ser do espaço, descreve Galactus: “Ele possui 14 bilhões de anos, está completamente distante da humanidade e pensa de uma maneira que supera qualquer raciocínio humano”. Ineson menciona uma declaração de Tilda Swinton, que via sua personagem em “As Crônicas de Nárnia” como uma força da natureza, e acrescenta: “Não posso discordar de Tilda Swinton”.
Galactus foi introduzido nas histórias do Quarteto Fantástico nos anos 60, criado por Stan Lee e Jack Kirby, e faz sua estreia cinematográfica em “Primeiros Passos”, em uma representação que supera sua aparição como uma nuvem em “Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado”, de 2007, que proporcionou um vislumbre do que viria a se consolidar como o universo Marvel no cinema.
Nesta nova narrativa, que se insere no universo compartilhado desenvolvido a partir de “Homem de Ferro” em 2008, Galactus não está sozinho; ao seu lado está sua arauto, a Surfista Prateada, interpretada por Julia Garner. A atriz reflete: “Quando penso em uma força da natureza, também penso em clareza”, ressaltando a importância da certeza em relação ao caminho que devem seguir. “É impossível ser uma força da natureza sem ter clareza de propósito.”
Para Ineson, que teve que se desvincular dos dilemas morais humanos ao construir Galactus, isso exigiu uma abordagem única. “O primeiro passo foi buscar elementos físicos e vocais que pudessem capturar a essência do personagem”, conta. “Além disso, assisti a muitos vídeos de desastres naturais, como furacões e tsunamis, para imaginar o imenso poder destrutivo de Galactus.”
O ator, conhecido por seus papéis em “Game of Thrones” e “A Bruxa”, também buscou uma nova perspectiva. “Eu costumava subir em arranha-céus e observar o mundo de lá de cima, refletindo sobre como seria ter aquela visão”, recorda. “Queria entender a escala do personagem e ir além das características humanas.”
O trabalho de Ineson como Galactus acabou se tornando uma experiência solitária, pois, sendo um gigante, não havia interação com os outros atores durante as filmagens; isso seria adicionado posteriormente com efeitos visuais. “Os outros atores eram como pequenos ‘x’ marcados no chão do estúdio”, brinca. “Por isso, passei a olhar para os vídeos e a subir em prédios: ao estar no traje e ver as marcações no chão, isso me ajudava a criar uma conexão emocional.”
Julia Garner, por sua vez, enfrentou seu próprio desafio ao interpretar a Surfista Prateada, também peculiar. Para viver a viajante cósmica, a atriz de “Ozark” usou um traje de captura de movimento, porém teve a companhia de Ebon Moss-Bachrach, que interpreta o Coisa. “Foi ótimo ter Ebon por perto durante as filmagens em mocap. De certa forma, ele era meu gêmeo e me fazia sentir menos sozinha e menos estranha.”
Embora “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos” funcione como um filme independente, ele também marca o início de uma nova fase no universo cinematográfico da Marvel, que culminará nas próximas aventuras dos Vingadores: “Doomsday”, previsto para estrear em dezembro do próximo ano, e “Guerras Secretas”, agendado para 2027. Os heróis da equipe já estão confirmados, mas o destino de seus adversários permanece incerto.
“Neste ponto, sabemos tanto quanto você sobre um possível retorno da Surfista Prateada”, afirma Julia Garner. “Li muitos quadrinhos, e ambos os personagens podem seguir por diversos caminhos”, complementa Ralph Ineson. “Mas essas decisões são tomadas por pessoas com salários muito maiores que o meu, e certamente seremos os últimos a saber!”