“O Pacto da Viola”, o novo longa-metragem de Guilherme Bacalhao, tem sua estreia marcada para 7 de agosto e já disponibilizou um trailer que destaca tanto a modernidade quanto a tradição do Brasil.
O filme é protagonizado por Wellington Abreu, vencedor do prêmio de melhor ator no Festival de Brasília 2024. A trama gira em torno de Alex (Abreu), um cantor talentoso que enfrenta dificuldades para se destacar na música sertaneja atual. Sua jornada o leva de volta à sua cidade natal, uma pequena comunidade no interior do Brasil, onde a agricultura industrial compromete o meio ambiente e ameaça as tradições culturais locais.
Durante seu retorno, Alex reencontra seu pai, Lázaro (Sérgio Vianna), um capitão da Folia de Reis e músico talentoso que lida com problemas de saúde, buscando cura por meio de promessas e rituais. No entanto, as crendices populares insinuam que Lázaro deve algo a forças malignas, levando Alex a mergulhar nas práticas e crenças da comunidade para salvar a si mesmo e a seu pai.
Bacalhao explica que a inspiração para o filme surgiu do fascínio pela dualidade da viola, um instrumento que conecta músicos ao sagrado e ao profano, criando um espaço para uma narrativa rica em mistério e espiritualidade, profundamente ligada às tradições do sertão.
Produzido pela 400 Filmes, “O Pacto da Viola” oferece uma perspectiva intrigante sobre o confronto entre o Brasil tradicional e a modernidade, que se manifesta não apenas na nova música sertaneja-pop, mas também na agricultura tecnológica e no uso de agrotóxicos. Representando um novo Brasil que busca transformação, a figura de Joyce (Gabriela Correa), prima de Alex, emerge como uma trabalhadora rural que sonha em deixar a terra e buscar uma nova vida.
Ao explorar a tensão entre o antigo e o novo, “O Pacto da Viola” celebra a cultura brasileira que ainda valoriza tradições como a viola e a Folia de Reis. Para se aprofundar nesse universo, que já foi tema de estudos de antropólogos como Luzimar Pereira, o diretor também percorreu a região que inspirou “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, ao lado do pesquisador musical Cacai Nunes. Em diálogos com violeiros, capitães de folia e moradores locais, eles conseguiram desvendar melhor essas tradições. A trilha sonora é composta pelo músico e pesquisador Roberto Correa, que também atuou como consultor do projeto.