Os leitores habituais da coluna podem se perguntar se o autor deste espaço está realmente bem, já que critica a série “Vale Tudo” por suas reproduções fiéis da versão original, mas também defende a necessidade de adaptações nas tramas. Em minha defesa, é fundamental analisar cada caso individualmente, considerando a forma como a obra foi reimaginada e o contexto social de 2025.
No episódio de ontem de “Vale Tudo”, testemunhamos a queda de Heleninha, que, em um momento de fraqueza, decidiu afogar suas mágoas na pista de dança. Ao contrário do que aconteceu em 1988, desta vez, seu pedido ao DJ para tocar um “mambo bem caliente” não foi atendido. A versão de Heleninha interpretada por Paolla Oliveira pediu o ritmo latino, mas a cena foi elaborada de maneira bastante distinta da original. Manuela Dias demonstrou inteligência ao optar por essa mudança.
Diferente do embate entre Raquel e Maria de Fátima, e da disputa entre Solange e Maria de Fátima, o momento em que Heleninha se entrega ao álcool não carregava um grande peso narrativo. Essa sequência se tornou icônica devido à extraordinária atuação de Renata Sorrah, que viralizou nas redes sociais anos atrás e ainda é lembrada. No entanto, seu impacto dramático era limitado, já que a personagem já havia perdido o controle em outras ocasiões.
Reproduzir exatamente a cena da Heleninha apresentada por Renata Sorrah, dançando de forma descontrolada ao lado de Dennis Carvalho, poderia ser um grande risco. Além de colocar Paolla Oliveira em uma posição desnecessária de comparação com sua antecessora, existia o perigo de que a sequência parecesse um tanto cômica nos dias atuais. A sobriedade da nova abordagem foi uma escolha acertada, e Paolla Oliveira conseguiu transmitir a essência do momento.