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Nicolas Cage, conflitos em Krypton, bebês superpoderosos e outros projetos de Superman que não vingaram

Você se lembra da vez em que Superman encontrou sua morte e, em seguida, ressuscitou na encolhida cidade de Kandor? Ou daquela história em que Lois Lane absorve a energia vital do Homem de Aço e dá à luz a um bebê superpoderoso? E ainda do momento em que o herói retorna a um Krypton que nunca foi destruído? Embora possa parecer uma fanfic, essas tramas foram, de fato, consideradas para longas-metragens do Superman que custaram milhões em desenvolvimento e, em algum momento, foram abandonadas.

A realidade é que criar um filme com o Último Filho de Krypton é uma tarefa desafiadora, especialmente quando um grupo de executivos tenta inserir suas ideias, muitas vezes absurdas, no projeto. Algumas dessas produções chegaram tão perto de se concretizar que é surpreendente que nunca tenham visto a luz do dia. A seguir, listamos alguns dos projetos que realmente foram considerados para trazer Superman de volta às telonas, mas que, no fim das contas, não se concretizaram.

Continuações engavetadas
Primeiro, é importante mencionar as óbvias sequências de aventuras já lançadas do Homem de Aço que acabaram no esquecimento. Começando por “Superman V”, que seria, supostamente, o último filme estrelado por Christopher Reeve. O ator já havia participado do decepcionante “Superman IV – A Busca da Paz”, de 1987, e uma quinta aventura estava nos planos da Cannon, estúdio que havia adquirido os direitos do personagem.

Albert Pyun, um verdadeiro “faz-tudo” da Cannon e diretor do “Capitão América” de 1990, assumiria a direção de uma trama que abordaria a morte e a ressurreição do Superman, com o vilão Brainiac como antagonista. O retorno do herói se daria na cidade engarrafada de Kandor, uma relíquia que sobreviveu à destruição de Krypton, habitada por uma parte da sociedade de um planeta extinto. Houve uma leitura do roteiro, mas Reeve estava relutante em retomar seu papel após duas experiências frustrantes. O projeto foi abandonado.

Um destino similar enfrentou a continuação de “Superman – O Retorno”, dirigido por Bryan Singer. Em 2006, Singer trouxe o herói de volta em uma verdadeira homenagem ao filme original de Richard Donner, com Brandon Routh interpretando o Homem de Aço. A homenagem tinha muita emoção, mas pecava na ação – não havia muito que o herói pudesse fazer de “super”. Antes mesmo do lançamento, Singer garantiu que a continuação teria um tom similar ao de “Star Trek – A Ira de Khan”, envolvendo um vilão relacionado à herança do Homem de Aço – supostamente o supercomputador vivo Brainiac (novamente) e prometendo mais ação. No entanto, os US$ 391 milhões arrecadados por “Superman – O Retorno” não foram suficientes para animar o estúdio. O projeto foi, por fim, descartado.

Henry Cavill, por sua vez, completou uma “trilogia” como Superman em “O Homem de Aço”, “Batman v Superman” e “Liga da Justiça”, mas a visão sombria do diretor Zack Snyder minou o entusiasmo para que ele concluísse sua saga. Mesmo assim, o estúdio confiou a Christopher McQuarrie (de “Missão: Impossível – O Acerto Final”) a tarefa de escrever “O Homem de Aço 2”. Ele elaborou uma história que colocaria o herói ao lado do Lanterna Verde, envolvendo uma sequência silenciosa que contaria toda a trajetória do Superman e suas motivações em ajudar a humanidade. McQuarrie foi contatado novamente após a breve aparição de Cavill como o herói em “Adão Negro”. Entretanto, decidiu-se que James Gunn reiniciaria a DC no cinema. O projeto, no fim, foi abandonado.

Superman renasce
No início dos anos 90, a Warner readquiriu os direitos do Superman de Alexander e Ilya Salkind e, aproveitando a popularidade da série de quadrinhos “A Morte do Superman”, acelerou a produção de um novo filme sob a produção de Jon Peters. Com o sucesso estrondoso de “Batman” em mente, Peters encomendou, em 1995, um roteiro que mostrava Lois Lane e Clark Kent em um relacionamento tumultuado, interrompido pela luta do Superman contra o monstruoso Apocalypse.

Aqui a história toma um rumo peculiar. Superman é morto por Lois, mas antes de sua morte, transfere sua força vital para ela, resultando em uma gravidez milagrosa que a torna mãe de um bebê de aço. E tem mais: esse bebê cresce rapidamente e assume a identidade de Superman, salvando o mundo. O filme, no entanto, não avançou, não por conta da estranheza da trama, mas porque o estúdio não queria outro herói em conflito com sua herança paterna, especialmente após “Batman Eternamente”.

“Superman Reborn” foi, então, reescrito e passou por uma nova abordagem, agora envolvendo um alienígena chamado Cadmus, que, sob a influência de Brainiac (novamente!), ressuscita o herói. Neste momento, Superman começa a usar uma armadura robótica e enfrenta, além de Apocalypse, os vilões Parasita e Banshee Prateada. Apesar do investimento no roteiro, essa versão do Homem de Aço nunca teve diretor ou elenco definidos. O projeto, eventualmente, foi abandonado.

Superman vive
Dentre todos os projetos para levar o kryptoniano de volta às telonas, este foi o que mais se aproximou da concretização. Após as dificuldades com “Reborn”, em 1997, Peter contratou Kevin Smith para escrever um novo roteiro. Famoso fã de quadrinhos, o roteirista teve que lidar com diversas restrições, como eliminar o poder de voo do herói e incluir a famosa batalha do Superman contra uma aranha gigante no clímax da história. Paciência.

A nova narrativa também girava em torno do ataque de Apocalypse a Metrópolis, com a criatura sendo enviada por Brainiac (novamente!). Após ser derrotado, Superman é ressuscitado por uma entidade kryptoniana chamada Erradicador, que se transforma na armadura capaz de devolver os poderes ao herói. Smith estava empolgado, até sugeriu Ben Affleck para o papel principal. No entanto, Tim Burton entrou em cena.

Contratado por US$ 5 milhões – valor que receberia independentemente do lançamento do filme – Burton começou a adicionar suas ideias a “Superman Lives”, uma das quais foi escalar Nicolas Cage para o papel principal (o ator recebeu US$ 20 milhões adiantados) e redesenhar o Homem de Aço como uma “bela aberração”, alguém inseguro sobre seu papel na Terra por ser alienígena. O roteiro, reescrito por Wesley Strick (“Batman – O Retorno”), retratava o protagonista como um existencialista, um forasteiro em um planeta estranho.

Burton encomendou ilustrações para o diretor de arte iniciar o trabalho em cenários, Cage experimentou várias versões do traje do herói (os vídeos circulam na internet) e Pittsburgh seria o cenário da Metrópolis imaginada pelo diretor. No entanto, o estúdio enfrentou problemas orçamentários – antes mesmo de uma única cena ser filmada, o custo previsto era de US$ 190 milhões, com um lançamento programado para o verão americano de 1998.

Os gastos excessivos já estavam colocando o projeto em dificuldades financeiras, e após um ano, Burton decidiu sair para dirigir “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça”. Cage permaneceu no filme até 2000, mas após as negativas de diretores como Michael Bay, Stephen Norrington, Simon West e Martin Campbell, “Superman Lives” parecia fadado ao fracasso – a versão do ator como Superman foi recriada em CGI para uma sequência de “The Flash”. Em desespero, Peters ofereceu o papel a Will Smith, que prontamente recusou. O projeto, por fim, foi abandonado.

Batman vs. Superman: Asylum
É admirável a persistência do estúdio em fazer Superman voar a qualquer custo. Em 2001, Andrew Kevin Walker (“Seven”) foi contratado para escrever uma história que reuniria o Homem de Aço e o Cavaleiro das Trevas sob a direção de Wolfgang Petersen (“Mar em Fúria”). O roteiro foi revisado por Akiva Goldsman (“Batman & Robin”, eu sei…) e o estúdio ficou empolgado.

A trama apresentava Bruce Wayne e Clark Kent como melhores amigos – o primeiro havia deixado de lutar contra o crime cinco anos antes, enquanto o segundo lidava com o divórcio de Lois Lane. Quando a noiva de Bruce é assassinada pelo Coringa, ele retorna como Batman, buscando vingança – algo que não agradava a Superman, que preferia dar ao vilão um julgamento justo.

Sim, Batman e Superman acabam se enfrentando – o Homem-Morcego usa uma armadura alimentada por kryptonita. Não, ninguém diz “Martha”. Sim, os dois heróis acabam descobrindo que tudo isso era um plano de Lex Luthor para incitar Batman a matar Superman. Ao menos aqui há uma justificativa plausível para o confronto entre os dois titãs.

O estúdio pensou em Johnny Depp como Batman e Josh Hartnett como Superman (até que eram boas escolhas), mas o roteiro foi considerado excessivamente sombrio para um reboot (ele termina com Batman convidando Superman para tomar uma cerveja, sério). O presidente da Warner na época, Lorenzo Di Bonaventura, decidiu que a melhor estratégia seria focar primeiro em filmes solo tanto para o Cavaleiro das Trevas (que acabou resultando em “Batman Begins”) quanto para o Homem de Aço. O projeto, por fim, foi abandonado.

Superman: Flyby
Com a morte do herói (mais ou menos) fora dos planos e a parceria com Batman arquivada, J.J. Abrams (“Star Wars: O Despertar da Força”) voltou sua atenção para reescrever a origem do Superman – mas não dentro do cânone do personagem. Em “FlyBy”, finalizado em 2004, uma guerra civil eclode em Krypton, colocando os irmãos Jor-El e Kata-Zor em lados opostos. Antes de ser preso, Jor-El envia seu filho Kal-El à Terra para cumprir uma profecia.

A história segue o que já conhecemos: a adoção por Jonathan e Martha Kent, a infância em Smallville, a chegada a Metrópolis e o romance com Lois Lane. Por sua vez, Lois está obcecada em expor um agente do governo que investiga OVNIs: Lex Luthor. Quando Clark finalmente se revela ao mundo como Superman, ele atrai à Terra seu primo, Ty-Zor, que o persegue pela galáxia junto com outros três kryptonianos. Superman morre, reencontra seu pai no paraíso, ressuscita, derrota sua família kryptoniana e termina a história em um foguete a caminho de Krypton.

Brett Ratner, no auge de sua carreira com a série “A Hora do Rush”, foi contratado para dirigir. Incerto sobre quem escolher para o papel de Superman, ele testou Josh Hartnett (que recusou um pagamento de US$ 100 milhões), Paul Walker, Jude Law e Brendan Fraser. Em uma conversa que tive com Brett durante o lançamento de “Dragão Vermelho” em Los Angeles, ele estava animado com a possibilidade de ter Anthony Hopkins como Jor-El (o que o ator também confirmou) e Ralph Fiennes como Lex Luthor.

Quando o orçamento se aproximou de US$ 300 milhões, o estúdio hesitou – especialmente em relação à escolha de Ratner para escalar o então desconhecido Matt Bomer como Superman. Embora Ratner tivesse concordado em reduzir os custos, os executivos vetaram novamente Bomer – Brett acredita que isso ocorreu por conta da sexualidade do ator, que se assumiu como homossexual.

Inconformado com a postura dos executivos, Brett pediu demissão. Ele foi substituído por McG (“As Panteras”), enquanto Brendan Fraser ainda estava sendo considerado para o papel do Homem de Aço. Para cortar custos, as filmagens foram transferidas de Nova York e Canadá para a Austrália, o que reduziria o orçamento em US$ 25 milhões. McG não aceitou a mudança e abandonou o projeto, admitindo anos depois que desistiu por medo de avião e por não querer viajar para o outro lado do mundo. O projeto, por fim, foi encerrado.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade