O Atlético reiniciou suas atividades nos treinos na última segunda-feira (30), mas o retorno não foi tão animador quanto os torcedores esperavam. Após a vitória por 2 a 0 contra o Internacional, que marcou a última partida antes da pausa para a Copa do Mundo de Clubes, o clima de otimismo em relação a possíveis reforços se dissipou, pois o time voltou à Cidade do Galo sem novas aquisições e com uma situação financeira ainda mais complicada.
A crise financeira que o clube enfrenta se tornou o foco principal, ofuscando a expectativa por novidades em relação a contratações ou saídas. No último sábado (28), uma matéria de O TEMPO Sports revelou que o Atlético está com pendências salariais, incluindo o pagamento das férias dos atletas. Os jogadores foram liberados para as férias após a vitória contra o Internacional, já que o calendário brasileiro estava suspenso devido à Copa do Mundo de Clubes. Enquanto o retorno estava inicialmente programado para o dia 26, um acordo permitiu que eles voltassem apenas na segunda-feira (30).
Além dos atrasos nas férias, o clube também tem débitos referentes a direitos de imagem, embora os salários estejam em dia. Em resposta às indagações, a diretoria do Atlético afirmou que “trata como assunto interno”.
Os problemas financeiros não são novidade para o Atlético. Representantes do clube, incluindo o sócio majoritário Rafael Menin, reconhecem a situação, mas não comentam individualmente sobre os casos. Além dos atrasos internos, o Atlético também possui várias dívidas com outros clubes relacionadas à aquisição de jogadores. Um exemplo recente é a pendência com o atacante Paulinho, vendido ao Palmeiras, além de dívidas com Coritiba, Botafogo e Athletico-PR referentes às contratações de Natanael, Júnior Santos e Cuello, respectivamente.
Essas dificuldades financeiras limitam as movimentações do Atlético no mercado. Apesar de já terem identificado as necessidades do elenco, ainda não houve propostas formais por jogadores. Nomes como o do volante Juan Portilla, do Talleres, foram mencionados, mas o clube ainda não fez contato para contratação.
A janela de transferências abre no dia 10 de julho, e há a expectativa de que o Atlético busque um volante de contenção até lá. Outras negociações não estão descartadas, mas a situação financeira pode dificultar essas movimentações. Por outro lado, o técnico Cuca poderá contar com o retorno de alguns jogadores que estavam lesionados, como Cuello e Arana, a tempo da reestreia do Atlético no Brasileirão.
O comentarista de O TEMPO Sports, Daniel Seabra, alerta que a principal preocupação do Atlético para o segundo semestre é a escassez de reforços em um elenco que já se mostrou limitado. “Pelas declarações recentes, parece que o Galo não deve realizar grandes contratações. E, na minha opinião, o elenco é curto para três competições. Além disso, o clube teve que enfrentar confrontos na Copa Sul-Americana que poderiam ter sido evitados. Agora, terá um desafio complicado contra o Flamengo na Copa do Brasil, onde o time carioca é favorito. O Galo tem potencial para avançar, mas a competição é acirrada. No Campeonato Brasileiro, apesar de tentativas de recuperação, a equipe já se distanciou da parte superior da tabela”, comentou Seabra.
Ele acrescentou que o elenco é insuficiente para lidar com as três competições simultaneamente e que em algum momento será necessário priorizar uma delas. No ano passado, a situação foi crítica, quase culminando em um rebaixamento na última rodada. Embora o time titular seja, em teoria, forte, a falta de profundidade no elenco e a decisão da diretoria de não contratar, apostando em jogadores que retornam de empréstimos, como Fábio Gomes e Cadu, tornam a situação complexa.
Diante de tantas indefinições, o Atlético precisa continuar sua preparação, pois o retorno aos jogos se aproxima, com um calendário desafiador. O primeiro confronto será no dia 12, contra o Bahia, pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro, seguido pelos playoffs da Copa Sul-Americana contra o Bucaramanga e pelas oitavas de final da Copa do Brasil contra o Flamengo.