A recente queda na audiência das novelas levantou questionamentos sobre a viabilidade de formatos longos na programação da TV aberta. “Garota do Momento” surgiu para demonstrar que essa estrutura ainda possui grande potencial, desde que se baseie em um elemento fundamental, frequentemente negligenciado: uma narrativa cativante que consiga tocar emocionalmente o público e estabelecer conexões.
A autora Alessandra Poggi elaborou uma trama romântica que dialoga com diversas idades, apresentando a leveza necessária para o horário e proporcionando um entretenimento escapista. No entanto, ela foi astuta ao desenvolver conflitos que se relacionam com questões contemporâneas, evitando que a história se tornasse apenas um meio para debater temas. Assim, os telespectadores podiam se identificar com os dilemas enfrentados pelos personagens, mesmo que a narrativa se passasse em 1958.
“Garota do Momento” não se deixou levar pela armadilha da militância superficial que permeia as redes sociais e que se infiltrou na teledramaturgia. Todos os conflitos e subtramas serviram à narrativa, que apresentou um bom ritmo e não caiu na armadilha comum desse formato: a famosa “barriga”, que se refere aos momentos em que a trama não avança, estagnando-se.
Com personagens bem desenvolvidos, como Zélia (Leticia Colin), Clarice (Carol Castro), Maristella (Lilia Cabral), Ligia (Paloma Duarte) e Alfredo (Eduardo Sterblitch), a produção se destacou por suas reviravoltas constantes, mantendo o espectador sempre engajado.
A novela investiu na representatividade, indo além da escolha do elenco, que foi cuidadosamente selecionado pela diretora Natália Grimberg. Ao longo da história, a protagonista Beatriz (Duda Santos) apresentou a mitologia dos orixás às crianças do orfanato, uma decisão ousada, considerando os frequentes casos de intolerância religiosa no Brasil.
“Garota do Momento” modernizou o melodrama e atendeu às expectativas do público de maneira impressionante. O resultado da novela é extremamente positivo, consolidando o talento da autora Alessandra Poggi, que merece um espaço duradouro na teledramaturgia!