Rony, um dos principais jogadores do Atlético nesta temporada, tem uma trajetória marcada por conquistas e prêmios individuais. No entanto, para alcançar esses sucessos, ele enfrentou uma jornada repleta de dificuldades, chegando até a considerar a desistência de seu sonho de ser atleta, conforme revelou em uma entrevista exclusiva ao O TEMPO Sports.
Natural de Magalhães Barata, uma pequena cidade no interior do Pará, Rony sempre sonhou em representar a seleção brasileira e, atualmente, o Atlético. Para isso, teve que superar diversos obstáculos. Sua conexão com o futebol começou na infância, influenciada por seu irmão, Robson.
“Ele sempre foi uma grande inspiração para mim. Quando estávamos trabalhando na roça, apareciam pessoas procurando por ele para jogar. Ele ia em busca de uma renda e eu sonhava que um dia também teria essa oportunidade”, contou Rony à O TEMPO Sports.
O atacante deu seus primeiros passos no futebol jogando pelo Grêmio de Vila Quadros, seu time local, ainda na categoria infantil. Ele recorda que demorou a usar chuteiras e que seu primeiro gol foi feito de bico, já que ainda não sabia chutar corretamente. Com apenas 12 anos, começou a jogar em sua equipe e à medida que os anos passaram, passou a ser chamado para jogar em times mais experientes da região. “O que eu desejava se concretizou; começaram a me buscar em casa e me oferecer dinheiro para jogar”, revelou.
Rony destaca que poderia estar brilhando em um grande rival, o Cruzeiro, que o procurou antes do Atlético, como ele mesmo mencionou em sua conversa com O TEMPO Sports.
Após se destacar em sua cidade, um vizinho o levou a Belém para realizar testes. Embora não tenha conseguido vaga na Tuna Luso, ele se destacou no Tiradentes, onde fez a diferença em partidas importantes contra Paysandu e Remo, mesmo jogando no Sub-20 aos 16 anos.
Suas atuações excepcionais atraíram convites para novos testes. Rony decidiu ir ao Remo, o clube de sua infância. “Quando cheguei ao treino, o técnico do Sub-17, que já me conhecia do Tiradentes, me convocou para um amistoso. Isso me fez sentir que estava realmente no clube. Depois disso, fui federado e participei de campeonatos”, explicou.
Entretanto, a vida de Rony em Belém não era fácil. Longe da família, ele precisou trabalhar para se sustentar e conseguir se deslocar. A luta para conciliar trabalho e futebol quase o levou a desistir do sonho. “No início, foi muito complicado. Quando entrei para a base do Remo, precisei trabalhar para pagar a passagem. Foi um período difícil, e cheguei a pensar em desistir, pois faltava dinheiro. Tive que me sacrificar, mas graças a Deus, esse esforço valeu a pena”, compartilhou, lembrando que atuou como mecânico, moto táxi e ajudante de pedreiro para se manter.
Sua sorte mudou quando recebeu uma ligação: “Foi quando me perguntaram se eu queria voltar a jogar. Participei da Copa São Paulo, me destaquei e depois fui promovido ao time profissional. Muitas pessoas não conhecem todo o processo, mas sou grato por tudo o que vivi”, finalizou.
Após se destacar no Remo, Rony foi contratado pelo Cruzeiro, onde não teve oportunidades e passou por empréstimos para Náutico e Albirex Nagata, do Japão. Após um período conturbado no clube celeste, que o deixou inativo por meses, ele se transferiu para o Athletico-PR, onde ganhou notoriedade nacional antes de chegar ao Palmeiras, seu último clube antes de assinar com o Atlético.