Amir Hossein Maghsoudloo, mais conhecido como Tataloo, está enfrentando uma sentença de morte no Irã após ser julgado e considerado culpado de blasfêmia, ofensas ao profeta Maomé e ao Islã, além de difundir propaganda contra o governo. Desde o final de 2023, ele se encontra encarcerado, tendo inicialmente recebido uma pena de cinco anos de prisão por blasfêmia, que foi posteriormente anulada, resultando em sua condenação à morte em janeiro. Tataloo também já havia sido punido por promover a prostituição e corrupção moral.
Quem é Tataloo
Tataloo se destaca como um dos precursores do rap no Irã, iniciando sua trajetória musical no começo dos anos 2000. Sem conseguir a licença necessária para atuar legalmente em seu país, ele mudou-se para Istambul, na Turquia, em 2018. Suas composições tornaram-se mais politizadas após a morte de Mahsa Amini, uma jovem de 22 anos que foi presa por não usar o véu de maneira adequada, em 2022. Esse evento desencadeou uma onda de protestos, levando muitas mulheres a desconsiderarem a vestimenta obrigatória.
O rapper também apareceu em videoclipes que criticavam as autoridades iranianas. Contudo, em 2015, ele foi visto em um vídeo apoiando a Guarda Revolucionária e o programa nuclear do Irã, algo que gerou críticas por parte de nações ocidentais. Tataloo nunca se explicou sobre esse ato, que foi interpretado como uma tentativa de se aproximar do governo para conquistar mais liberdade.
Ele acumulou um grande número de seguidores nas redes sociais, onde realizava transmissões ao vivo. Entretanto, em 2020, o Instagram suspendeu sua conta após ele convocar adolescentes a se juntarem ao seu “time” para fins sexuais. Tataloo também admitiu ter feito uso de substâncias ilícitas.
Em dezembro de 2023, as autoridades iranianas informaram que o artista foi deportado para o Irã pelas autoridades turcas, que atenderam a um pedido de um tribunal revolucionário de Teerã. No mês passado, a Suprema Corte do Irã confirmou a pena de morte, afirmando que ela “está pronta para ser executada”.
*Com informações da AFP e RFI