Na manhã desta sexta-feira (6/6), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados do Censo Demográfico 2022, indicando que as mulheres constituem a maior parte dos fiéis no Brasil. Em quase todos os grupos religiosos, elas superam o número de homens, exceto entre aqueles que se declaram “sem religião” e nos grupos que seguem tradições indígenas, onde os homens são maioria.
Esse predomínio feminino, que reflete uma realidade histórica no país, agora é quantificado pelos novos dados. Entre os espíritas, por exemplo, 60,6% dos praticantes são mulheres. A mesma tendência é observada entre católicos, evangélicos e seguidores de umbanda e candomblé.
Detalhes adicionais mostram que os homens predominam entre os adeptos de tradições indígenas, representando 50,9% deste grupo. Entre aqueles que não professam nenhuma fé, 56,2% são homens, com esse segmento aumentando de 8% da população em 2010 para 9,4% em 2022. A maior concentração de pessoas sem religião está entre os jovens de 20 a 24 anos.
O Censo também revela que a religiosidade das mulheres muda com a idade. A religião católica é mais prevalente entre as idosas: 72% das pessoas com 80 anos ou mais se identificam como católicas, enquanto entre adolescentes de 10 a 14 anos, esse percentual cai para 52%. Em contrapartida, a presença dos evangélicos é mais forte entre os jovens, com 31,6% dessa faixa etária, enquanto apenas 19% pertencem à população mais velha.
Geograficamente, a maior proporção de católicos é encontrada no Nordeste (63,9%) e no Sul (62,4%), enquanto os evangélicos têm maior presença no Norte (36,8%) e no Centro-Oeste (31,4%). Entre os estados, o Piauí se destaca com 77,4% de católicos, enquanto o Acre apresenta a maior taxa de evangélicos, com 44,4% da população.
Em cidades com mais de 100 mil habitantes, o município de Crato (CE) registra o maior percentual de católicos (81,3%), enquanto Manacapuru (AM) lidera entre os evangélicos com 51,8%.
Esses dados indicam que, embora o Nordeste tenha sido historicamente um centro da religião católica no Brasil, há um crescimento notável das igrejas evangélicas, especialmente nas periferias urbanas e em áreas rurais mais vulneráveis.