Jair Aguiar, de 36 anos, que foi dispensado de seu cargo em uma cafeteria após a repercussão de um vídeo do padre Fábio de Melo, de 54 anos, está processando tanto o sacerdote quanto a empresa em que trabalhava. A equipe do Splash tentou entrar em contato com o padre e está buscando uma resposta da Havanna, que se mantém disponível para esclarecimentos.
O que ocorreu
A diretora do Sitratuh (Sindicato dos Trabalhadores em Turismo, Hospitalidade e de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Joinville e região), Leila Rocha, confirmou à reportagem a existência dos processos, que estão sob segredo de Justiça. Ela afirmou que todas as medidas legais necessárias foram tomadas e que Jair conta com total apoio. “Nesse momento, aguardamos os desdobramentos legais e estamos seguros de que todas as ações estão sendo realizadas com responsabilidade e em prol dos interesses do trabalhador Jair”, declarou a diretora.
Além da ação civil, há também uma reclamação trabalhista contra a Havanna. “Agora é questão de esperar os trâmites processuais e jurídicos, certos de que estamos agindo com seriedade e compromisso com o trabalhador”, completou Leila.
A reportagem tentou contato com Jair, que optou por não se manifestar.
O incidente e a demissão
O padre relatou que foi tratado de forma inadequada no local ao questionar a discrepância entre o preço de um produto e o valor anunciado. A discussão ocorreu em Joinville-SC, em maio. Fábio explicou em seus stories que “não é o gerente que decide se um valor será cobrado ou não. É uma questão de lei”.
O vídeo do padre se tornou viral, resultando na demissão do gerente. Em uma entrevista ao Splash no mês anterior, Jair Aguiar revelou que tem enfrentado ataques e sente medo de sair de casa. “Um dia você é uma pessoa comum, conhecida apenas por amigos e familiares. No dia seguinte, um país inteiro te critica. Ao acessar as redes sociais, você se depara com comentários cruéis. Apenas escutaram a versão do padre e isso se tornou a verdade”, lamentou Jair.
Ele defendeu que a situação foi diferente do que foi relatado por Fábio, afirmando que o padre não se dirigiu a ele diretamente e que a reclamação sobre o preço não foi clara.
O padre expressou pesar pela demissão do gerente, afirmando em seus Stories do Instagram que “quem comete erros merece uma segunda chance”. Ele negou ter mentido sobre os fatos, explicando: “Ele disse que eu nem vi o preço do doce de leite. Peçam para analisarem as gravações das câmeras de segurança. Eu fui até a prateleira pegar o doce de leite, vi o preço e depois passei a informação para o grupo que estava comigo. Tínhamos acabado de sair de um treino na academia ao lado, eu não tinha dinheiro, e eles iriam pagar. Quando perceberam a diferença de preço, me chamaram no caixa”.
O que diz a legislação
De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC), o preço exibido na prateleira deve ser o valor cobrado no caixa. Caso haja diferença, o consumidor tem direito a pagar o menor valor. A Lei n.º 10.962/2004 complementa o CDC, ressaltando que os preços devem ser claramente visíveis e legíveis.