O comentarista esportivo João Paulo Cappellanes, que atua na Band, se tornou réu em um processo por calúnia, injúria e difamação movido contra o presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues. A denúncia, feita por Ednaldo em 2024, foi aceita pela juíza Aparecida Angélica Correia, da 1ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, e o caso agora avança para a fase de julgamento.
O incidente que deu origem à ação ocorreu em fevereiro de 2024, durante uma edição do programa Jogo Aberto, da Band. Naquela ocasião, Cappellanes comentava sobre um ataque ao ônibus do Fortaleza, que acontecera antes de um jogo da Copa do Nordeste contra o Sport, onde pedras foram lançadas por torcedores, resultando em seis feridos.
Durante a transmissão, o comentarista teceu críticas contundentes à CBF e ao seu presidente, afirmando: “É possível esperar algo dessa CBF? Que tem um presidente frouxo? Que não possui liderança? Que não entende de futebol? O que podemos esperar de uma entidade moralmente falida?”.
De acordo com o processo, a palavra “frouxo” foi interpretada por Ednaldo como uma ofensa pessoal. Os autos indicam que a declaração teria ultrapassado os limites da crítica institucional.
Em uma entrevista à coluna do portal f5, na segunda-feira (7/4), Cappellanes expressou que não ficou surpreso com a denúncia e questionou a legalidade da ação. “Se o Brasil fosse um país sério, eu teria recebido essa denúncia com grande surpresa. Mas, infelizmente, isso não é verdade”, afirmou.
O jornalista reafirmou sua posição e provocou Ednaldo: “Presidente Ednaldo, se o senhor se sentiu ofendido, lamento. Não retiro nada do que disse. E o senhor sabe o porquê. Ou esqueceu que nos prometeu determinadas ações e não as cumpriu?”
Cappellanes também deixou claro que não se arrepende de suas palavras e nunca considerou pedir desculpas, nem mesmo durante a audiência com a juíza e os advogados. “Isso não é por arrogância, mas por exercer meu direito de expressão em um país democrático”, explicou.
Ele ainda criticou a motivação do processo: “Sinto que, por ser um dos jornalistas que mais critica a CBF no Brasil, eles viram uma oportunidade de me processar como uma forma de silenciar. Um ‘cala boca’. Não vão conseguir. Jamais me calarei diante do que considero errado, e, sinceramente, há muito errado na CBF, começando pelo próprio Ednaldo e sua gestão ineficaz.”
Até o momento, nem a CBF nem Ednaldo Rodrigues se manifestaram publicamente sobre o andamento do processo.