Touros (RN) – A partir de 2026, o Brasil implementará uma nova abordagem para a avaliação de cursos em dez áreas distintas do ensino superior. Este processo será realizado em um ciclo de três anos, dividido em três etapas contínuas. As diretrizes de avaliação também serão revisadas.
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que supervisiona esse processo no país, está atualmente detalhando essa reformulação. O novo modelo, que será testado no segundo semestre deste ano, deverá ser finalizado até o final de 2023 e entrará em vigor em 2026.
Essas mudanças são um dos tópicos em pauta no XVII Congresso Brasileiro da Educação Superior Particular (CBESP), que ocorre de 28 a 30 de maio em Touros (RN), a cerca de 85 km de Natal. Neste momento, o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) opera de maneira diferente, sem um ciclo de avaliação previamente definido.
Em 2026, a primeira fase do novo sistema será aplicada a quatro áreas de formação, com saúde e educação já confirmadas; as outras duas áreas ainda serão anunciadas pelo Inep. As demais seis áreas serão avaliadas ao longo de 2027 e 2028.
Ulysses Teixeira, diretor de Avaliação da Educação Superior do Inep, esclarece que as reformas também afetarão os critérios e métodos de avaliação.
“Os exames terão um formato distinto das versões anteriores do Enade, com uma prova expandida que incluirá mais itens relacionados aos conhecimentos específicos de cada área, permitindo uma análise mais precisa do desempenho esperado”, enfatiza Teixeira.
Ele ressalta que, devido à diversidade do sistema educacional brasileiro, a atualização na metodologia de avaliação respeitará as particularidades de cada curso.
“Precisávamos considerar mais as especificidades. Assim, começamos a desenvolver essa proposta com base na Classificação Internacional Normalizada da Educação Adaptada para Cursos de Graduação e Sequenciais de Formação Específica do Brasil (Cine Brasil), com critérios de avaliação específicos para cada área”, detalha Teixeira.
O ensino superior a distância (EAD), que está passando por alterações regulatórias, inicialmente não contará com uma metodologia de avaliação específica. Contudo, o Inep está considerando a possibilidade de monitorar o funcionamento dos polos por meio de amostragem.
Atualmente, o Brasil possui cerca de 2 mil instituições de ensino superior, que oferecem aproximadamente 46 mil cursos. Dada a complexidade do sistema, um cronograma foi estabelecido para facilitar a transição para o novo fluxo avaliativo.
Teixeira anunciou que no próximo dia 17, as comissões encarregadas da nova proposta de avaliação devem apresentar o modelo, e a partir do dia 18, uma consulta pública de 30 dias será aberta. Após a análise e incorporação das sugestões, o período de agosto a novembro será reservado para a realização de testes.
O repórter esteve em Touros a convite da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), uma das entidades que integram o Fórum Brasil, organizador do evento.