Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, está sob investigação como um dos principais operadores do maior esquema de descontos ilegais na história do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em 2017, ele contratou dois empréstimos totalizando R$ 162 mil em uma instituição financeira privada, quitando a dívida, que cresceu com os juros, durante o auge do esquema do qual é acusado de ser um dos líderes.
Nos últimos anos, a riqueza de Careca se expandiu de forma significativa, superando em muito suas declarações oficiais. O escândalo, revelado pelo Metrópoles em dezembro de 2023, expôs um dos maiores casos de fraudes já vistos no INSS. As associações ligadas a Antunes arrecadaram cerca de R$ 1,3 bilhão com descontos indevidos entre 2021 e março deste ano. Ele foi alvo de duas fases da Operação Sem Desconto, sendo a mais recente focada na apreensão de veículos de luxo, que somavam mais de R$ 3 milhões, conforme apurado pelo Metrópoles.
Antes de ser vinculado ao esquema, Antunes contraiu dois empréstimos na instituição financeira onde trabalhava. O primeiro, em novembro de 2017, foi de R$ 131,2 mil, parcelado em 36 meses, com a primeira parcela vencendo no Natal daquele ano. Em dezembro do mesmo ano, ele solicitou um segundo empréstimo de R$ 30,9 mil. Embora tenha pago parte das parcelas, ele começou a atrasar os pagamentos em dezembro de 2018, acumulando uma dívida que chegou a R$ 271 mil.
Dados da Polícia Federal (PF) revelam que, em agosto de 2023, durante um dos picos do esquema de descontos, Careca não possuía saldo suficiente em suas contas para saldar a dívida. No entanto, em janeiro do ano seguinte, ele negociou um acordo com o banco, quitando R$ 117 mil via Pix e o restante, R$ 133,7 mil, através de bloqueio em uma conta que já estava sob ordem judicial. A PF investiga a possibilidade de que os recursos utilizados para quitar os empréstimos tenham origem no próprio esquema que prejudicava aposentados e pensionistas.
Além dos veículos de luxo apreendidos, que foram alvo de operações da PF, o patrimônio de Antunes disparou para R$ 14,3 milhões entre abril e julho de 2024. Durante esse período, ele movimentou R$ 12,2 milhões em contas bancárias, enquanto sua renda mensal oficial era de R$ 24,4 mil e seu patrimônio declarado variava entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões.
Antunes também possui diversos veículos, parte dos quais foram confiscados pela PF, e adquiriu imóveis de alto valor, como uma casa no Lago Sul, uma das áreas mais nobres de Brasília, comprada por R$ 3,3 milhões. Além disso, ele é sócio de 22 empresas, atuando em setores como consultoria, call center, construção civil e tecnologia. A PF identificou que muitas dessas empresas compartilham o mesmo endereço, telefone e categoria econômica, sugerindo uma estratégia para ocultar responsabilidades e dificultar o rastreamento de recursos.
O escândalo do INSS foi amplamente coberto pelo Metrópoles em uma série de reportagens iniciadas em dezembro de 2023. Três meses após o início das publicações, o portal revelou que a arrecadação das associações com descontos de aposentados havia aumentado exponencialmente, alcançando R$ 2 bilhões em um ano, enquanto enfrentavam milhares de processos por fraudes nas filiações.
As reportagens do Metrópoles resultaram na abertura de um inquérito pela Polícia Federal e apoiaram as investigações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram referenciadas pela PF na representação que levou à Operação Sem Desconto, deflagrada em 23 de abril, que culminou nas demissões do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.