Na manhã desta quinta-feira (28/5), o Supremo Tribunal Federal (STF) segue com as audiências de testemunhas relacionadas à Ação Penal (AP) 2668, que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado com o objetivo de desestabilizar os Poderes da República e derrubar o governo eleito em 2022.
A partir das 8h, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, conduzirá a oitiva, que ocorrerá por videoconferência, das testemunhas de defesa sugeridas pelo ex-ministro e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, que é um dos réus no processo.
Estão previstas seis testemunhas para a audiência, incluindo o ex-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Bruno Bianco, e o ex-ministro da Economia Paulo Guedes. A lista de testemunhas indicada pela defesa e aprovada por Moraes inclui nomes significativos.
Dentre os oito réus do chamado “núcleo 1” da ação penal, Torres foi o que mais apresentou testemunhas, inicialmente indicando 38 dos 82 nomes totais. Durante as audiências, a defesa retirou três nomes e uma testemunha não compareceu.
Até o momento, o STF já ouviu as testemunhas apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que representa a acusação, assim como depoentes indicados pelo colaborador e ex-ajudante de ordens Mauro Cid, pelo general Walter Souza Braga Netto, pelo deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), pelo ex-comandante da Marinha, almirante Garnier Santos, e pelo ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, além de Anderson Torres.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao denunciar Anderson Torres, afirmou que o ex-secretário de Segurança do DF e ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (PL) fez parte de uma organização criminosa desde junho de 2021. Segundo a acusação, o grupo, liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), teria participado dos atos antidemocráticos ocorridos em 8 de janeiro de 2023, utilizando violência e ameaças graves para obstruir o funcionamento regular das instituições e depor um governo legitimamente escolhido.
Gonet apontou que a participação de Torres na suposta conspiração remonta a uma live de Bolsonaro, onde o então ministro teria contribuído para a disseminação de informações falsas sobre o sistema de votação eletrônico. Em relação aos eventos de 8 de janeiro, Gonet destacou que Torres e outros membros das forças de segurança falharam deliberadamente em cumprir suas obrigações de prevenir os atos violentos que ocorreram.
Anderson Torres, Jair Bolsonaro e os demais réus rejeitam todas as acusações apresentadas pela PGR.