O Sistema Único de Saúde (SUS) agora disponibiliza um tratamento completo para a dermatite atópica, uma condição crônica que provoca coceira intensa e inflamações severas na pele. A partir de agora, os pacientes afetados por essa condição terão acesso a três novos medicamentos que atendem desde os casos leves até os mais severos.
A novidade foi anunciada pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira (26/5), com a publicação de três portarias que oficializam a inclusão das novas opções terapêuticas. Isso inclui duas pomadas — tacrolimo e furoato de mometasona — além de um medicamento oral, o metotrexato.
Essa decisão foi baseada na recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e visa ampliar as alternativas de tratamento para aqueles que não obtêm resultados satisfatórios com os corticoides já disponíveis ou que não podem utilizá-los.
Entre os novos medicamentos, o tacrolimo, de uso tópico, será oferecido em concentrações de 0,03% e 0,1%. Ele é indicado para áreas sensíveis, especialmente em casos onde há reações adversas aos corticoides. O furoato de mometasona, também em forma de pomada, será eficaz para a regeneração da pele em quadros mais leves, tornando o tratamento mais acessível a diferentes perfis de pacientes, especialmente crianças e pessoas com pele delicada.
Para os casos mais graves, o metotrexato surge como uma nova opção oral. Esse medicamento atua na modulação da resposta inflamatória e pode ser uma alternativa à ciclosporina (um imunossupressor) para aqueles que não podem utilizá-la.
Atualmente, o SUS já oferece cremes de dexametasona e hidrocortisona para quadros leves e ciclosporina oral para casos mais severos. Com a introdução das novas substâncias, o tratamento se torna mais abrangente.
“Esse avanço contribui para combater os estigmas sociais enfrentados por aqueles que vivem com essa condição, frequentemente alvos de preconceito devido às lesões visíveis na pele. Essa é uma doença que, em muitos casos, afeta crianças em idade escolar, que podem acabar faltando às aulas por causa disso”, declara a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (SECTICS), Fernanda De Negri.
As lesões visíveis, que podem aparecer em áreas como o rosto e os braços, podem impactar a autoestima e limitar a participação social, especialmente entre adolescentes e jovens adultos. O tratamento adequado visa reduzir esses efeitos colaterais da dermatite.
Entre 2024 e 2025, a rede pública registrou mais de 500 mil atendimentos ambulatoriais relacionados à doença, incluindo consultas, exames e prescrições personalizadas.
Para ter acesso aos novos medicamentos, os pacientes devem se dirigir à Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Um profissional de saúde avaliará a condição e, se necessário, encaminhará o paciente a um dermatologista, que será responsável por definir o tratamento mais adequado.
Nos casos leves, a resposta ao tratamento pode ser obtida com o uso de hidratantes, pomadas e orientações sobre banhos e vestuário. Já os quadros moderados ou graves requerem tratamento contínuo e acompanhamento regular.
O dermatologista Marco Antonio Boaventura, da Clínica Fares em São Paulo, esclarece que a dermatite atópica não tem cura, mas pode ser controlada. “O diagnóstico é clínico e geralmente se manifesta antes dos dois anos, podendo haver casos semelhantes na família”, explica.
Boaventura ressalta que fatores como baixa umidade, poluição, produtos químicos e certos alimentos podem intensificar os sintomas. “Evitar banhos quentes, usar hidratantes apropriados e manter as unhas curtas são medidas que ajudam a aliviar o desconforto”, conclui.
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