Com a chegada do frio em várias regiões do Brasil, a incidência de gripes aumenta entre a população. Uma das características mais incômodas dessa enfermidade é a notável mudança na voz. Quando estamos gripados, a fala se torna mais difícil, com um timbre arrastado, anasalado e até rouco.
Contrariando a crença popular, a alteração vocal durante a gripe não é causada apenas pelo nariz entupido. Fatores como fadiga, ressecamento na garganta e até confusão mental podem contribuir para essa mudança. “Ao ficarem gripadas, as pessoas costumam se sentir mais cansadas, pois precisam respirar pela boca, o que resulta em uma fala mais lenta e menos articulada. Isso também provoca ressecamento na faringe e laringe, irritando as pregas vocais”, explica Caroline Rondina, coordenadora do curso de fonoaudiologia da Universidade Católica de Brasília.
Os medicamentos antigripais, frequentemente utilizados para aliviar os sintomas, podem causar sonolência e lentidão, dificultando a concentração e a agilidade no processamento de informações. Essa combinação de fatores acaba impactando a forma de falar.
Ao perceberem alterações em sua voz, muitas pessoas tentam falar mais alto, pigarrear, tossir ou até sussurrar. Contudo, essas ações podem agravar a situação. Tossir e pigarrear com frequência resulta em choques repetidos nas cordas vocais, podendo causar lesões, inflamações mais graves ou até nódulos vocais. “Sussurrar também pode irritar a região, pois fazemos um esforço excessivo para evitar o contato entre as pregas vocais. Se a rouquidão ou dor estiver presente, o ideal é descansar a voz o máximo possível e garantir uma boa hidratação”, afirma Gabriela Galvão, fonoaudióloga especializada em voz da clínica Otorrino Brasília.
Se a rouquidão persistir por mais de 10 a 15 dias após a gripe, isso pode ser um indício de problemas mais sérios, como inflamações crônicas ou lesões que requerem tratamento específico. “Normalmente, a rouquidão causada pela gripe é leve e temporária, acompanhada de outros sintomas sutis, como coriza e tosse. Caso o sintoma persista após a recuperação, é essencial procurar um médico”, alerta o otorrinolaringologista Adriano Damasceno Lima, do Hospital Santa Lúcia, em Brasília.
Para preservar a voz, a principal recomendação é manter uma hidratação adequada, preferencialmente com água em temperatura ambiente. É aconselhável evitar sprays anestésicos, pois eles podem mascarar a dor e levar a um uso inadequado da voz. Inalações com vapor de água morna ou soro fisiológico podem auxiliar na recuperação.
Além disso, é importante reduzir a ingestão de álcool, café e alimentos ácidos ou picantes, que podem irritar ainda mais a garganta. Evitar ambientes com fumaça, poeira e odores fortes também é recomendável. Manter o pescoço aquecido ajuda a proteger a musculatura da região.
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