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Diretor discute os desafios de criar um filme sobre Cacá Diegues em Cannes

Globoplay/Divulgação

Cannes – Alguns meses após a passagem de Carlos “Cacá” Diegues, uma das figuras mais icônicas do cinema brasileiro, o Festival de Cannes apresenta a estreia mundial de um documentário que homenageia sua vida e legado.

Sob a direção de Lírio Ferreira e Karen Harley, o filme intitulado Para Vigo Me Voy! (assista ao trailer clicando aqui) presta tributo ao cineasta que foi um dos pilares do Cinema Novo e levou a sétima arte brasileira a ser reconhecida internacionalmente. O nome do filme remete a uma famosa fala de seu trabalho mais memorável, Bye Bye Brasil.

Cacá esteve presente em Cannes em várias funções ao longo de sua carreira — como diretor, produtor e jurado — e agora é o protagonista de um filme que toca o coração ao refletir sobre sua presença e ausência.

Após a exibição, que contou com a presença da equipe, familiares e um público claramente emocionado, o Metrópoles teve a oportunidade de conversar com Lírio Ferreira sobre a criação desse tributo cinematográfico.

Metrópoles: Lírio, é viável resumir uma vida em um único filme?
Lírio Ferreira: É uma tarefa extremamente desafiadora, especialmente quando se trata de uma personalidade tão significativa e influente como ele. Cacá foi um cineasta extraordinário, um pensador profundo e um cronista do Brasil. Os encontros que ele teve, os filmes que criou e o legado que deixou não são fáceis de encapsular. É um processo complexo e, por natureza, imperfeito.

No entanto, buscamos traçar caminhos e fazer um “bordado” que transmita uma mensagem central que Cacá deixou para o futuro: a afetividade. Ele era o cineasta do afeto, e é através dessas relações que encontramos soluções. Essa foi a abordagem que adotamos nessa missão quase impossível de, em 99 minutos, apresentar uma visão sobre uma figura tão monumental como Cacá Diegues.

Metrópoles: O filme utiliza close-ups intensos para nos aproximar dele. Como vocês chegaram a essa decisão estética?
Lírio Ferreira: A fotografia é assinada por Loiro Cunha. A ideia de aproximação foi gradual, quase como um processo de descoberta. Em algumas cenas, o neto de Cacá, Zé Bial, o filma de perto, e isso foi importante para capturar sua essência. Precisávamos ter conforto para essa intimidade, sem esconder nada. Em um momento, ele cai, mas logo se levanta, toma um café e volta a filmar. Essa relação próxima foi algo que buscamos construir com cuidado.

Metrópoles: Como vocês, tanto os diretores quanto Cacá, lidaram com a iminência da morte? De que forma isso influenciou a produção e a pós-produção?
Lírio Ferreira: A vida carrega em si a noção de finitude, e nunca sabemos o que pode acontecer. Cacá poderia estar aqui, e eu poderia não estar. Essa é a verdade da existência.

Ele estava ciente de sua fragilidade, mas continuou ativo até o fim, escrevendo crônicas, filmando e se emocionando nas exibições. Ele também refletiu sobre a perda de sua filha, Flora, e compartilhou lembranças tocantes. Infelizmente, ele não está mais aqui, mas a vida segue seu curso, e nos aproximamos dele com carinho e afetividade, como ele sempre nos ensinou.

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Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade