O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) revelou que a economia do Brasil teve um crescimento de 1,3% no primeiro trimestre deste ano, conforme divulgado nesta segunda-feira (19/5). Esse resultado indica uma aceleração da atividade econômica em comparação ao último trimestre de 2022, quando o IBC-Br registrou um aumento mais modesto de 0,5%.
Para obter esses números, o Banco Central realizou um ajuste sazonal, um método que elimina variações sazonais em uma série temporal, permitindo uma comparação mais precisa entre diferentes períodos — neste caso, em relação ao quarto trimestre de 2023.
Analisando os setores produtivos, a agropecuária destacou-se com um crescimento de 6,1%, seguida pela indústria com 1,6% e pelos serviços, que avançaram 0,7%. André Valério, economista sênior do Inter, comentou que, apesar de alguns sinais de desaceleração, “a economia brasileira ainda demonstra vigor em um momento em que se debate o término do ciclo de elevação das taxas de juros”.
O banco acredita que o PIB do primeiro trimestre será “robusto”, com uma estimativa em torno de 1%. Segundo Valério, esse desempenho poderá manter o Comitê de Política Monetária (Copom) em um “modo de cautela” em relação à política monetária. “Entretanto, esse crescimento será fortemente influenciado pelo agronegócio, um elemento típico da oferta, e esperamos que a política monetária restritiva, que deverá se manter ao longo do ano, faça a economia brasileira desacelerar nos próximos trimestres, resultando em um crescimento em torno de 1,5% para este ano”, avaliou o economista.
Em março, o IBC-Br teve um aumento de 0,8%, mostrando uma aceleração em relação a fevereiro, que registrou uma alta de 0,4%. No que diz respeito aos setores produtivos, a indústria teve a melhor performance mensal, com uma elevação de 2,1%, enquanto os setores de agropecuária (1%) e serviços (0,3%) também apresentaram resultados positivos.
Em comparação com março do ano anterior, o IBC-Br subiu 3,5%. Nos últimos 12 meses até março, o indicador do BC mostrou um crescimento de 4,2%. No primeiro trimestre, a “prévia do PIB” cresceu 3,7% em relação ao mesmo período de 2023, todas as variações foram calculadas sem ajustes sazonais.
Economistas alertam para a possibilidade de desaceleração da economia brasileira neste ano, devido às altas taxas de juros e à inflação persistente, fatores que continuam a preocupar a equipe do presidente Lula (PT). O Banco Central prevê uma expansão de 1,9% para a economia brasileira em 2024, enquanto analistas do mercado financeiro, consultados semanalmente pelo BC no relatório Focus, projetam um crescimento do PIB de 2,02% em 2025 e 1,70% em 2026.
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