O influenciador digital Rico Melquiades, 32 anos, prestou depoimento à CPI das Apostas, realizada no Senado Federal hoje. Em sua fala, ele enfatizou: “Quero deixar claro que minha atuação em plataformas de apostas foi restrita ao trabalho como influenciador. Realizei campanhas publicitárias contratadas e recebi como qualquer outro influenciador. Todo o processo foi devidamente documentado dentro das normas da época. Nunca estive envolvido diretamente com as empresas de apostas.”
O que ocorreu
Durante o depoimento, Melquiades se negou a discutir um acordo de colaboração premiada com a Polícia Civil de Alagoas, que resultou em uma multa significativa. Documentos revelados por uma reportagem do UOL em junho de 2024 indicaram que influenciadores tinham acesso a contas privilegiadas nas plataformas de apostas, proporcionando-lhes uma vantagem nas apostas, conforme investigado pela polícia.
“Meu dinheiro não provém apenas das apostas. Antes de trabalhar com as Bets, participei do reality show A Fazenda 13, onde fui o vencedor e recebi R$ 1,5 milhão. Além disso, fiz duas campanhas publicitárias de grande valor. Após sair do programa, continuei a realizar diversas publicidades. O montante que foi bloqueado pela Justiça não é oriundo exclusivamente das apostas”, afirmou Melquiades.
O depoimento de Melquiades ocorreu um dia após a participação de Virginia Fonseca, 26 anos, na mesma comissão. A esposa de Zé Felipe negou a existência de uma “cláusula da desgraça” em contratos com plataformas de jogos.
Estabelecida em novembro de 2024, a CPI visa investigar a influência dos jogos de apostas online nas finanças dos brasileiros e possíveis ligações com organizações criminosas. A comissão também examina o papel dos influenciadores digitais na promoção de jogos de azar.
Assista:
‘Em silêncio, vence’
Uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, garante que o influenciador pode optar por permanecer em silêncio sobre questões que possam ser autoincriminadoras.
O STF também assegurou que Melquiades pode ser assistido por advogados durante o depoimento na CPI e que ele pode se comunicar com eles, respeitando as regras regimentais e a condução dos trabalhos pelo presidente da comissão.
A defesa de Rico havia solicitado um habeas corpus, argumentando que a convocação como “testemunha” disfarçava sua condição de investigado, considerando que o processo está em segredo de justiça. Eles pediram para dispensar a presença obrigatória ou garantir direitos como o silêncio e a assistência jurídica, sendo parcialmente atendidos pelo Supremo.
Operação Game Over 2
Rico Melquiades foi um dos alvos da Operação Game Over 2, que busca combater irregularidades em jogos de azar online. No início deste ano, a Polícia Civil de Alagoas realizou uma busca em sua residência.
“Fui surpreendido pela polícia em minha casa por volta das 5h30. Fiquei muito assustado, nunca esperei encontrar a polícia aqui. Quero deixar claro que nada ilícito foi encontrado em minha casa. Eu apenas divulguei duas casas que são regulamentadas. Tudo será esclarecido”, declarou Rico em um vídeo no Instagram.
Melquiades teve R$ 5 milhões em bens bloqueados, além da suspensão das suas redes sociais. Seus bens e contas nas redes sociais foram liberados cerca de três meses após a operação da Polícia Civil.