A possibilidade de Wagner dos Santos, popularmente conhecido como Waguinho, ser indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a presidência da estatal Porto do Rio (PortosRio) tem gerado apreensão quanto ao futuro da administração da empresa pública. O ex-prefeito de Belford Roxo (RJ) está envolvido em diversas investigações relacionadas a possíveis crimes.
Neste ano, Waguinho passou a ser alvo de uma investigação da Polícia Federal (PF) por suspeitas de sua participação em um esquema envolvendo contratos para a compra de livros didáticos. Além disso, em janeiro, a Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCRJ) desencadeou uma operação que apurou desvios de R$ 15 milhões em recursos previdenciários durante sua gestão.
Waguinho Carneiro, que exerceu dois mandatos como prefeito de Belford Roxo de 2017 a 2024, é casado com a deputada federal Daniela do Waguinho, que foi ministra do Turismo no governo Lula (PT). A indicação de Waguinho para a PortosRio gerou desconforto na comunidade política carioca e entre aliados do governo, que questionam sua capacidade de liderar um local que é crucial para a logística de mercadorias no estado.
De acordo com a coluna Paulo Cappelli, do Metrópoles, uma parcela significativa dos próximos a Lula expressou preocupação, ressaltando a estreita relação de Waguinho com o ex-deputado federal Eduardo Cunha, que foi um dos principais protagonistas do impeachment de Dilma Rousseff.
Na Operação Errata, Waguinho foi implicado após a PF realizar buscas em diversos locais no dia 11 de fevereiro, onde surgiram indícios de sua participação no esquema investigado. A maior parte dos R$ 100 milhões em contratos de livros didáticos foi formalizada durante seu mandato como prefeito.
A investigação da PCRJ revelou que os recursos foram transferidos de forma irregular para 539 beneficiários, muitos sem vínculos legítimos com o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Belford Roxo (Previde), resultando em desvios de aproximadamente R$ 14,9 milhões. Entre os principais suspeitos estão ex-diretoras do Previde, que foram nomeadas por Waguinho.
“As ações realizadas visam à recuperação do patrimônio público e à coleta de provas que possam levar à responsabilização dos envolvidos”, afirmou a Polícia Civil na ocasião.
O Metrópoles não conseguiu contato com a assessoria de Waguinho para comentar sobre sua possível nomeação para o porto e as repercussões na região. O espaço permanece aberto para manifestação.