O mercado de criptomoedas registrou uma leve valorização nesta terça-feira, 13 de outubro, impulsionado pela redução nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os chamados Treasuries. Apesar do movimento de alta, o Bitcoin enfrenta dificuldades para consolidar ganhos mais expressivos, enquanto investidores aguardam com expectativa a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de setembro, prevista para ocorrer na quarta-feira, 14 de outubro. O dado será um importante indicador das pressões inflacionárias nos Estados Unidos e deve influenciar as próximas decisões do Federal Reserve (Fed) em relação à política de juros.
Por volta das 16h14 (horário de Brasília), o Bitcoin operava com alta de 0,97%, cotado a aproximadamente US$ 83.114,53, segundo dados da plataforma Binance. Em contrapartida, o Ethereum apresentava uma leve queda de 0,46%, sendo negociado a cerca de US$ 2.498,68. O movimento de valorização do Bitcoin ocorre em um cenário de maior cautela no mercado, após a criptomoeda ter atingido uma máxima de sete meses de US$ 87.315 em 21 de setembro, valor que, desde então, vem sendo testado e parcialmente revertido.
Analistas de mercado destacam que o recuo nos rendimentos dos Treasuries, que ocorre em meio à expectativa por dados de inflação, contribui para uma redução do impacto do custo de oportunidade de manter ativos que não geram rendimento, como o Bitcoin. Contudo, observa-se que os fluxos de fundos negociados em bolsa (ETFs) de criptomoedas tornaram-se negativos, indicando uma saída de capital do segmento, o que pode limitar a força de recuperação da criptomoeda.
Segundo Pedro Fontes, analista do Mercado Bitcoin, o Bitcoin conseguiu recuperar seu suporte de US$ 82 mil, um nível considerado importante para a manutenção do momento de estabilidade. Para que o ativo demonstre maior força de mercado, a confirmação de sustentação acima dessa faixa ao longo da semana será um sinal positivo, embora o cenário ainda exija cautela, avalia o especialista. A persistência da volatilidade é atribuída, em parte, ao impacto do aumento nos preços do petróleo, que encarece combustíveis, transporte e custos de produção. Essa elevação pode dificultar o controle da inflação, levando o Federal Reserve a manter ou elevar os juros por mais tempo, o que, por sua vez, torna os títulos do Tesouro mais atrativos e reduz o apetite por ativos de maior volatilidade, como as criptomoedas.
A expectativa para o CPI de setembro é um elemento central nas próximas decisões do mercado. Caso o índice venha abaixo do esperado, há uma chance de aliviar as preocupações com novas altas de juros, o que poderia beneficiar o Bitcoin. Por outro lado, uma inflação superior às projeções aumentaria a pressão sobre o Fed para manter juros elevados, podendo colocar novamente à prova o suporte de US$ 82 mil, conforme avaliam analistas. Assim, o mercado de criptomoedas permanece atento às próximas divulgações econômicas, que deverão determinar o rumo dos ativos digitais nos próximos dias.