O governo do Amazonas declarou situação de emergência em 36 municípios do estado devido ao aumento alarmante de queimadas, resultado do fenômeno El Niño, que agravou a seca e favoreceu a ocorrência de incêndios florestais. Essa medida permite a mobilização de recursos federais e o apoio de órgãos nacionais para o enfrentamento das chamas, além de reforçar ações de combate e controle na região.
De acordo com o Painel do Clima, o Amazonas registrou mais de 7.6 mil focos de incêndio entre 1º de outubro e este domingo, dia 11. Este número representa um crescimento de aproximadamente 91,38% em relação ao mesmo período do ano passado, evidenciando a gravidade da situação. As regiões mais afetadas são Manaus, capital do estado, e o sul do região, onde os focos de incêndio têm sido mais intensos e frequentes. A situação tem causado preocupação não apenas pelo impacto ambiental, mas também pelos efeitos na saúde pública, especialmente pela deterioração da qualidade do ar na capital.
Neste domingo, ministros de Estado responsáveis por áreas ambientais e de desenvolvimento regional realizaram sobrevoos nas áreas afetadas pelos incêndios. João Paulo Capobianco, ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, destacou que a origem dos incêndios não se limita às queimadas provocadas por atividades humanas de manejo de pastagens, mas também inclui focos criminosos. Segundo ele, há registros de incêndios na floresta preservada, o que indica ações intencionais de degradação do bioma com o objetivo de facilitar a derrubada de árvores posteriormente.
Para conter a escalada dos incêndios, o governo federal criou uma força-tarefa envolvendo diversos órgãos, como o Ministério de Minas e Energia, a Defesa Civil Nacional, a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) e as Forças Armadas. O reforço no combate às queimadas inclui o envio de 11 aeronaves, além do incremento no número de brigadistas especializados na contenção de incêndios florestais. Duas aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) chegaram a Manaus neste domingo, reforçando as operações de combate ao fogo na região.
Waldeir Góes, ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, enfatizou a importância da atuação coordenada entre os órgãos federais e estaduais para enfrentar a crise. Ele também ressaltou que a deterioração da qualidade do ar em Manaus atingiu índices muito superiores aos limites considerados aceitáveis pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o que levou a prefeitura a suspender, desde domingo, eventos ao ar livre promovidos pela administração municipal. Além disso, as aulas presenciais na rede municipal de ensino e nas universidades também foram suspensas temporariamente, como medida de proteção à saúde da população.
A situação de emergência e as ações de combate refletem a gravidade da crise ambiental enfrentada pelo Amazonas, agravada pelo fenômeno El Niño e por ações humanas intencionais que dificultam o controle dos incêndios. A mobilização conjunta das forças federais e estaduais busca reduzir os focos de fogo e minimizar os impactos ambientais e à saúde pública na região.