As principais bolsas de valores da Europa fecharam o dia desta quinta-feira, 8 de novembro, em território negativo, refletindo um cenário de maior aversão ao risco no mercado financeiro global. A queda foi influenciada principalmente pelo aumento nos preços do petróleo, resultado de novos ataques realizados pelos Houthis contra instalações na Arábia Saudita, além do aumento nos rendimentos dos títulos soberanos dos países da região, que reforçam as preocupações com a inflação e o ritmo de crescimento econômico.
O sentimento negativo também foi agravado pela divulgação da ata do Banco Central Europeu (BCE), referente à reunião de setembro. O documento reforçou os riscos inflacionários, destacando que as pressões de preços continuam elevadas, especialmente devido ao persistente choque energético na região. Essa avaliação contribuiu para o pessimismo entre investidores, que passaram a ajustar suas posições diante de um cenário mais incerto.
No mercado de ações, os bancos e as empresas de tecnologia lideraram as perdas. Entre os bancos, destaque para o UniCredit, na Itália, que recuou 3,2% em Milão, o Santander, que caiu 2,5% em Madri, e a Société Générale, que perdeu 2,6% na França. Essas quedas ocorreram em meio à alta dos rendimentos dos títulos soberanos, que elevam os custos de captação e pressionam os resultados dessas instituições financeiras. No setor de tecnologia, as empresas Infineon e STMicroelectronics tiveram quedas de 3,4% e 3,6%, respectivamente, acompanhando a tendência de liquidação de papéis ligados à inteligência artificial. Siemens, também do setor, caiu 2,5% em Frankfurt.
Por outro lado, o setor de energia apresentou desempenho positivo, impulsionado pelo aumento nos preços do petróleo. As ações da Shell e BP, em Londres, avançaram 3,6% e 3,8%, respectivamente, enquanto a Galp, em Lisboa, subiu 3,8%. Essa valorização ajudou a minimizar as perdas nas principais praças financeiras europeias, que tiveram seus principais índices encerrando o dia em baixa. O FTSE 100, de Londres, caiu 0,16%, fechando aos 10.441,60 pontos; o DAX, de Frankfurt, recuou 1,12%, para 24.823,05 pontos; o CAC 40, de Paris, caiu 0,51%, atingindo 7.729,69 pontos; e o FTSE MIB, de Milão, registrou uma baixa de 1,35%, encerrando aos 49.297,88 pontos. Em Madri, o Ibex 35 caiu 0,78%, fechando aos 18.969,20 pontos, enquanto em Lisboa, o PSI 20 teve alta de 0,15%, fechando aos 9.347,56 pontos. Essas cotações são preliminares e podem sofrer ajustes posteriores.
No cenário econômico, a ata do BCE revelou que os riscos de inflação permanecem elevados, sustentados principalmente pelo impacto contínuo do choque energético na zona do euro. Além disso, dados divulgados na Alemanha mostraram que as exportações do país caíram 0,8% em agosto, o pior resultado desde novembro de 2025, indicando possíveis sinais de enfraquecimento na indústria alemã. Segundo analistas do ING, esses números reforçam a percepção de que a resiliência da economia alemã pode estar sendo afetada, o que pode impactar o crescimento na região.
No mercado de títulos, o aumento nos rendimentos soberanos refletiu a preocupação com o cenário inflacionário e a política monetária mais restritiva. Essa pressão sobre os títulos também afetou os bancos, que enfrentam custos mais elevados de captação de recursos. Mark Haefele, do UBS Wealth Management, destacou que, apesar dessas dificuldades, a melhora nos lucros de algumas empresas pode mitigar parcialmente os efeitos dos juros elevados sobre os resultados das ações.
A movimentação do mercado também foi influenciada pela alta nos preços do petróleo, que impulsionou as ações das companhias de energia. A valorização do petróleo Brent, que atingiu níveis elevados devido aos ataques dos Houthis, elevou o desempenho das ações da Shell e BP em Londres, além da Galp em Lisboa, contribuindo para o desempenho positivo dessas praças. Assim, enquanto alguns setores sofrem com o aumento dos custos e a instabilidade geopolítica, outros se beneficiam do movimento de alta nos preços de commodities.
As informações são da Dow Jones Newswires.