O 9º Incorpora Abrainc, evento realizado nesta quarta-feira (7), em São Paulo, reuniu representantes do mercado imobiliário, instituições financeiras e autoridades públicas para debater os principais desafios e as perspectivas do setor de habitação até o ano de 2027. Com o tema “Rotas para 2027”, o encontro abordou temas centrais como financiamento habitacional, taxas de juros, utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), reforma tributária e o déficit de moradias no país.
Na cerimônia de abertura, o presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz França, destacou a importância da redução das taxas de juros como uma das condições essenciais para ampliar o acesso à moradia no Brasil. Segundo ele, uma queda de um ponto percentual na taxa de juros poderia possibilitar que aproximadamente 1,3 milhão de famílias brasileiras passassem a ter condições de adquirir imóveis, ampliando significativamente o mercado e contribuindo para a diminuição do déficit habitacional.
Luiz França também abordou a mudança na composição das fontes de financiamento do setor imobiliário, informando que atualmente, as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LIGs) representam cerca de 56% do funding disponível para o mercado, enquanto a poupança responde por aproximadamente 44%. Essa alteração na estrutura de captação de recursos reflete uma diversificação que pode influenciar na estabilidade e na ampliação dos financiamentos habitacionais.
Outro ponto destacado por França foi a proposta de utilizar recursos do Fundo Social do pré-sal para ampliar as linhas de crédito habitacional. Ele afirmou que esse fundo, que atualmente possui uma reserva significativa, pode chegar a R$ 50 bilhões nos próximos quatro anos, contribuindo para o financiamento de moradias populares. A sugestão da Abrainc é criar um mecanismo permanente para esse financiamento, de modo a reduzir a dependência do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que atualmente desempenha papel fundamental no setor.
Além das lideranças do setor imobiliário, o evento contou com a presença de autoridades públicas, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçando a relevância do tema para as políticas públicas e o desenvolvimento econômico do país.
Rubens Menin, presidente do conselho da MRV e conselheiro emérito da Abrainc, também participou da abertura do evento. Ele reforçou a necessidade de um ajuste fiscal profundo no Brasil, destacando que a elevada carga de juros no país é um entrave para o crescimento econômico e para a acessibilidade à moradia. Menin afirmou que “ninguém mais suporta uma carga de juros tão elevada no Brasil”, evidenciando a urgência de reformas estruturais para melhorar o ambiente de negócios e o acesso ao crédito imobiliário.
O encontro contou ainda com a presença de diversos executivos e especialistas do setor, que discutiram estratégias para enfrentar o déficit habitacional, ampliar o financiamento acessível e promover a sustentabilidade do mercado imobiliário brasileiro. O debate reforça o papel do setor na agenda de desenvolvimento social e econômico do país, bem como a necessidade de ações coordenadas entre setor público e privado para alcançar as metas estabelecidas até 2027.