A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta quarta-feira, 7 de novembro de 2023, o primeiro guia oficial voltado ao enfrentamento da obesidade em crianças e adolescentes. O documento surge em um momento em que a prevalência dessa condição na faixa etária entre 5 e 19 anos quadruplicou desde 1990, passando de 2% para 8%, de acordo com dados da agência das Nações Unidas especializada em saúde. Em números absolutos, estima-se que, em 2024, cerca de 170 milhões de jovens nessa faixa etária apresentavam obesidade, incluindo aproximadamente 70 milhões de crianças de 5 a 9 anos e 100 milhões de adolescentes de 10 a 19 anos.
A OMS reforça que a obesidade infantil é uma doença crônica e de caráter recorrente, cuja incidência na infância pode gerar consequências de longo prazo, elevando o risco de desenvolvimento de doenças não transmissíveis, como diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares. Além dos aspectos físicos, a entidade destaca que crianças e adolescentes obesos frequentemente enfrentam estigma, discriminação e bullying, fatores que podem afetar sua saúde mental e bem-estar social.
Para lidar com esse cenário, o guia recomenda intervenções estruturadas que envolvam mudanças na dieta, aumento da atividade física e modificações comportamentais, podendo ser aplicadas de forma individualizada ou por meio de programas multimodais. A utilização de estratégias de saúde digital também é mencionada como uma alternativa condicional, desde que sob supervisão de pais ou responsáveis, como forma de ampliar o acesso ao tratamento.
A Organização Mundial da Saúde orienta que tratamentos farmacológicos, cirurgias bariátricas e dispositivos de perda de peso não devem ser utilizados em crianças com até 9 anos de idade. Para adolescentes entre 10 e 19 anos, a recomendação é que o uso de medicamentos aprovados, como as chamadas canetas emagrecedoras, seja considerado apenas quando um programa de mudança de estilo de vida, supervisionado por profissionais, não alcançar os resultados desejados. Além disso, a cirurgia bariátrica pode ser considerada, sob condições rigorosas, em casos de obesidade grave nessa faixa etária.
Embora as diretrizes tenham como foco principal a obesidade, a OMS também enfatiza a importância de abordar a saúde mental de forma integrada ao tratamento. Problemas como ansiedade, depressão, baixa autoestima e desregulação emocional podem contribuir para hábitos alimentares pouco saudáveis, sedentarismo e isolamento social. A entidade recomenda que profissionais de saúde atuem precocemente na identificação e tratamento dessas questões, adotando estratégias inclusivas e que envolvam a família, considerando o estágio de desenvolvimento de cada criança ou adolescente.
Por fim, a OMS destaca que o tratamento isolado da obesidade não é suficiente para conter o aumento dos casos. A organização defende a implementação de políticas públicas que tornem dietas saudáveis e atividades físicas mais acessíveis e com custos viáveis. Além disso, reforça a necessidade de ações em áreas como educação, planejamento urbano, transporte e proteção social, que possam contribuir para a promoção de ambientes mais saudáveis e favorecer a prevenção da obesidade na juventude.