A presidente do Federal Reserve de San Francisco, Mary Daly, declarou nesta terça-feira (6) que, embora tenha apoiado o aumento da taxa de juros ocorrido em setembro, a necessidade de futuras elevações dependerá do comportamento dos choques econômicos que atualmente pressionam a inflação. Daly ressaltou que, caso esses choques sejam de natureza convencional e tenham efeitos temporários, talvez não seja necessário realizar novas altas na taxa de juros, indicando uma possível pausa na política monetária dependendo do cenário.
Durante uma entrevista à Axios, Daly explicou que fatores como tarifas comerciais, os preços do petróleo impulsionados pelo conflito no Oriente Médio e o impacto da inteligência artificial (IA) representam os principais choques que influenciam a inflação. Ela afirmou que, se esses fatores forem de efeito transitório e não se agravarem, o Fed poderá evitar novas altas nas taxas de juros. “Se os choques que vivemos — tarifas, preços do petróleo decorrentes do conflito no Oriente Médio e, depois, a IA — se forem choques convencionais, que vêm e vão e têm efeitos temporários, então talvez não precisemos de mais. E ainda vejo alguma probabilidade disso”, disse Daly.
Por outro lado, a presidente do Fed de San Francisco alertou que, se esses choques se agravarem ou persistirem por mais tempo do que o esperado, a necessidade de novas altas se torna mais provável. Ela destacou que uma segunda rodada de negociações tarifárias, que possa resultar em aumento de tarifas, representaria um segundo choque adicional, prolongando o período de pressão inflacionária. Nesse contexto, a persistência ou agravamento dos choques poderia justificar novas ações de política monetária por parte do Federal Reserve.
Daly também mencionou que a demanda por chips relacionados à inteligência artificial está crescendo, o que pode contribuir para pressões inflacionárias mais duradouras. Ela destacou que esse aumento na demanda por componentes tecnológicos essenciais para a IA pode tornar os efeitos dos choques mais persistentes, dificultando o controle da inflação no curto prazo.
Embora Daly não possua direito a voto na definição da política de juros neste ano, ela participa regularmente das discussões do Federal Reserve em Washington, contribuindo com suas análises e perspectivas sobre o cenário econômico. Sua posição reforça a atenção do mercado às condições econômicas e às possíveis futuras ações do Federal Reserve, que continuam dependentes da evolução dos fatores externos e internos que influenciam a inflação nos Estados Unidos.