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Ouro registra alta impulsionado por queda do petróleo e diminuição dos rendimentos dos Treasuries

•Reprodução

O mercado de metais preciosos apresentou uma valorização nesta terça-feira (6), com o contrato de ouro mais líquido fechando em alta, impulsionado principalmente pela queda nos preços do petróleo e pela redução nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries). Esses fatores aliviaram temporariamente as pressões inflacionárias, criando um ambiente favorável à valorização do metal, embora as perspectivas de uma política monetária mais restritiva por parte do Federal Reserve (Fed) continuem limitando os ganhos do ouro.

Na Bolsa de Nova York, operando na divisão de metais da Nymex, o contrato de ouro para dezembro encerrou a sessão com uma alta de 0,73%, cotado a US$ 4.187,10 por onça-troy. A prata, também negociada na mesma plataforma, avançou 0,47%, fechando a US$ 61,58 por onça-troy. Essa movimentação reflete um momento de relativa estabilidade no mercado de metais preciosos, apesar das incertezas que ainda permeiam o cenário econômico global.

De acordo com análises do Commerzbank, o ouro conseguiu se estabilizar, pelo menos por enquanto, uma vez que as preocupações relacionadas a um aumento acelerado das taxas de juros nos Estados Unidos diminuíram recentemente. Essa melhora no cenário se deve, em parte, ao comportamento dos investidores em fundos de ETFs (Exchange-Traded Funds), que, embora não tenham aumentado significativamente sua exposição ao ouro nos últimos tempos, também não a reduziram. Essa postura de manutenção de posições contribui para o suporte ao preço do metal.

Além dos fatores de mercado, declarações feitas por dirigentes de bancos centrais reforçam o apelo do ouro como ativo de refúgio seguro. Durante uma conferência da London Bullion Market Association (LBMA), Sergio Nicoletti Altimari, vice-presidente do Banco da Itália, afirmou que o ouro demonstrou sua capacidade de atuar como reserva de valor em momentos de crise nos últimos anos. Essa avaliação reforça a percepção de que o metal mantém seu valor em tempos de instabilidade econômica e geopolítica.

Outro destaque na mesma conferência foi Joachim Nagel, presidente do Bundesbank, que destacou que, apesar do aumento na atratividade dos títulos de renda fixa após a alta recente das taxas de juros, os argumentos para diversificação de portfólios com ouro permanecem relevantes. Nagel ressaltou que, diante das tensões geopolíticas e do elevado nível de endividamento global, o ouro continua sendo uma opção de proteção contra riscos econômicos e políticos.

A perspectiva de otimismo também é reforçada por estudos de consultorias especializadas, como a Metals Focus. Em sua publicação anual, a empresa prevê que o preço do ouro poderá atingir novos recordes até 2027, apoiada pelo aumento potencial do interesse dos investidores ao longo do médio prazo. Essa projeção reflete uma expectativa de que fatores macroeconômicos e geopolíticos continuarão a sustentar a demanda pelo metal, consolidando sua posição como ativo de proteção e investimento estratégico.

Em suma, o mercado de ouro encontra-se em um momento de recuperação moderada, sustentada por elementos macroeconômicos favoráveis, declarações de autoridades financeiras e projeções de crescimento de demanda futura, apesar das limitações impostas pela política monetária restritiva adotada pelo Federal Reserve.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade