As principais bolsas de valores da Ásia encerraram suas negociações nesta sexta-feira, dia 2, sem uma direção única definida, refletindo a cautela dos investidores diante do aumento das tensões no Oriente Médio, o aumento nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano e a expectativa pelo anúncio do relatório de empregos dos Estados Unidos, conhecido como payroll. Essa combinação de fatores mantém o clima de incerteza nos mercados regionais, que permanecem atentos às possíveis repercussões geopolíticas e econômicas globais.
Em Tóquio, o índice Nikkei apresentou uma queda de 0,94%, fechando aos 68.309,46 pontos. O recuo foi influenciado principalmente pelo desempenho negativo de ações dos setores de tecnologia e financeiro, setores tradicionais que costumam reagir às oscilações de risco e às expectativas econômicas globais. Na Coreia do Sul, o índice Kospi, por sua vez, registrou uma alta de 0,46%, encerrando a sessão aos 7.003,74 pontos, indicando uma leve recuperação em meio ao cenário de incerteza.
Hong Kong apresentou uma queda mais acentuada, com o índice Hang Seng recuando 2,60%, fechando aos 23.972,29 pontos. Essa retração ocorreu após o mercado retornar de um feriado prolongado, o que pode ter contribuído para uma maior volatilidade e ajustes nas posições dos investidores. Em Taiwan, o índice Taiex avançou 0,25%, fechando aos 48.475,74 pontos, demonstrando alguma resistência diante do cenário global de tensão.
Na China continental, os mercados permanecem fechados desde ontem, devido a um feriado nacional, e só reabrirão suas portas na próxima quarta-feira, dia 8. Essa pausa temporária limita a influência direta dos fatores internos na dinâmica dos mercados locais, mas os investidores continuam atentos ao cenário externo, especialmente às movimentações relacionadas ao conflito no Oriente Médio.
O conflito na região tem mantido o apetite por risco limitado, embora os preços do petróleo tenham mostrado sinais de estabilização após dois dias consecutivos de ganhos. O Brent, principal referência internacional, recuou 2,8% nesta sexta-feira, negociando por volta de US$ 99,50 o barril. O aumento na presença militar dos Estados Unidos na região, aliado às ameaças do ex-presidente Donald Trump de intensificar ataques contra o Irã, contribuem para a instabilidade no mercado de energia e para a elevação dos riscos geopolíticos globais.
Além disso, o ambiente de incerteza tem impulsionado os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, os Treasuries, que atingiram máximas em 24 anos antes de recuarem parcialmente ao final do dia. Os riscos geopolíticos e as pressões inflacionárias também têm influenciado a curva de juros, com destaque para o aumento dos juros de longo prazo, que refletem as expectativas de inflação e de política monetária nos Estados Unidos.
Nos próximos dias, os investidores aguardam com expectativa a divulgação do relatório de empregos dos EUA, conhecido como payroll, que é considerado um indicador-chave para a trajetória das taxas de juros do Federal Reserve. Segundo o CME Group, por meio do índice FedWatch, a maioria das expectativas aponta para a manutenção dos juros americanos em outubro, apesar de ainda existirem apostas de uma nova alta na taxa de juros até o final do ano, especialmente após o aumento anunciado pelo Fed em meados do mês passado.
Na Oceania, a bolsa australiana encerrou seu pregão com alta de 0,79%, com o índice S&P/ASX 200 fechando aos 8.682,10 pontos, refletindo um ambiente de maior otimismo relativo às perspectivas econômicas na região, mesmo diante do cenário global de tensão e incerteza.