O vice-presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, Philip Jefferson, declarou nesta quinta-feira, 1º de novembro, que a autoridade monetária possui atualmente maior margem de manobra para concentrar seus esforços no combate à inflação. A afirmação foi feita durante uma sessão de perguntas e respostas realizada após seu discurso, na qual Jefferson destacou que a economia americana está “bem próxima” do pleno emprego, o que permite ao Fed ajustar sua política monetária com maior liberdade.
Jefferson explicou que a atual fase de inflação elevada foi resultado de uma “cascata de choques” que afetaram a economia global e, especificamente, os Estados Unidos. Nesse contexto, ele ressaltou que as expectativas de inflação de longo prazo continuam indicando a credibilidade do Fed em seu compromisso de reduzir a alta dos preços. Essas expectativas são fundamentais para a condução da política monetária, pois influenciam as decisões de consumidores e investidores, além de orientar as ações do banco central.
Segundo o vice-presidente, no entanto, o Fed precisa estar preparado para tomar as medidas necessárias para garantir que essas expectativas permaneçam ancoradas. Jefferson afirmou que a instituição está “firmemente comprometida em devolver a inflação a 2% em tempo hábil”, reforçando a determinação do banco central em controlar a alta de preços sem comprometer o mercado de trabalho.
Ele também destacou o valor do mandato duplo do Fed, que visa equilibrar a estabilidade de preços com a máxima geração de empregos. Essa abordagem, explicou Jefferson, exige habilidades de gestão para atender a esses objetivos simultaneamente, especialmente em um cenário de inflação persistente e recuperação econômica.
No âmbito da tecnologia, Jefferson abordou a possibilidade de a Inteligência Artificial (IA) gerar ganhos expressivos de produtividade no futuro. Ele declarou que o desenvolvimento responsável dessa tecnologia deve ser incentivado, embora ainda seja difícil avaliar qual impacto a IA já teve sobre as estimativas da taxa natural de juros, um indicador econômico que mede a taxa de juros compatível com o pleno emprego e a estabilidade de preços.
Por fim, Jefferson reconheceu limitações na avaliação do crédito privado, admitindo que o Fed possui uma visibilidade restrita sobre os desenvolvimentos nesse setor. Essa falta de transparência pode dificultar a análise do impacto do crédito privado na economia, uma preocupação constante na condução da política monetária.
Essas declarações reforçam a postura do Fed de manter uma política de juros cautelosa, com espaço para ajustes futuros, enquanto monitora de perto fatores que possam influenciar a inflação e o mercado financeiro americano.