O Boletim InfoGripe divulgado nesta quinta-feira (1º de outubro) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta um aumento nos registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) entre crianças nos estados do Rio de Janeiro e Sergipe. A análise, referente à Semana Epidemiológica (SE) 38, que compreende o período de 20 a 26 de setembro, revela que, no cenário nacional, apenas o metapneumovírus e o Sars-CoV-2 (Covid-19) apresentam tendência de crescimento no número de casos de SRAG. Além disso, há indícios de aumento nos casos graves de Covid-19 no Acre e em São Paulo, embora em níveis considerados baixos de incidência.
O estudo também evidenciou que, nas regiões Sul (Paraná e Santa Catarina), Sudeste (Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo) e Nordeste (Bahia, Paraíba, Pernambuco e Sergipe), há um incremento na ocorrência de SRAG causada por metapneumovírus. Outros cinco estados — Maranhão, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Roraima e Santa Catarina — também apresentam níveis de incidência considerados de alerta, risco ou alto risco, embora sem sinais de crescimento sustentado a longo prazo.
Segundo Tatiana Portella, pesquisadora responsável pelo Boletim InfoGripe, realizado pelo Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz), embora os registros semanais de SRAG por Covid-19 permaneçam em patamar baixo, há aumento nos casos de SRAG provocados por influenza B, especialmente na Bahia e Mato Grosso. No Rio Grande do Sul, há sinais de que esse crescimento possa estar sendo interrompido.
Em relação às unidades federativas, o boletim aponta que duas delas — Rio de Janeiro e Sergipe — apresentam níveis de alerta, risco ou alto risco de SRAG, com sinais de crescimento até a semana epidemiológica 38. O aumento desses casos ocorre principalmente entre crianças de até quatro anos de idade e está associado à circulação do metapneumovírus e rinovírus. Além disso, três capitais brasileiras — Porto Alegre, Rio Branco e Rio de Janeiro — também indicam níveis de atividade de SRAG em crescimento nas últimas seis semanas até a data de referência.
No panorama nacional, até o momento, foram notificados 157.908 casos de SRAG em 2023. Destes, 85.087 (53,9%) tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, enquanto 56.799 (36%) apresentaram resultados negativos e aproximadamente 7.090 (4,5%) aguardam resultados. Entre os casos positivos, o vírus sincicial respiratório (VSR) foi responsável por 40,4%, seguido pelo rinovírus com 32,1%, influenza A com 16,4%, influenza B com 5,5% e Sars-CoV-2 com 3,8%.
A análise aponta que, nas últimas seis semanas, os casos de SRAG apresentaram uma tendência de queda, enquanto, nas últimas três semanas, houve sinais de crescimento. Nas quatro semanas epidemiológicas mais recentes, os vírus mais prevalentes entre os casos positivos foram rinovírus (52,4%), VSR (18,1%), influenza B (6,7%), Sars-CoV-2 (4%) e influenza A (3,2%). Quanto às mortes associadas a esses vírus, a distribuição foi de 34,7% para rinovírus, 22,3% para VSR, 13,2% para influenza A, 13,2% para influenza B e 9,1% para Covid-19.
Durante o período eleitoral, que vai de 4 de julho a 25 de outubro, a Fiocruz reforça a orientação de que as divulgações de conteúdo digital relacionadas à saúde devem seguir as recomendações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), sendo permitida apenas a veiculação de informações meramente informativas ou de serviço ao cidadão.