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Ceará firma parceria com Fiocruz, HU Brasil e instituições locais para instalação de centro de terapias CAR-T no SUS

Uma nova etapa na expansão do acesso a terapias avançadas no Sistema Único de Saúde (SUS) foi oficializada nesta terça-feira, 29 de setembro, com a assinatura de um Memorando de Entendimento (MdE) envolvendo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Hospital Universitário (HU) Brasil, a Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa) e a Universidade Federal do Ceará (UFC). O acordo, realizado no Palácio da Abolição, sede do governo estadual em Fortaleza, visa estabelecer as bases para a instalação de um centro de desenvolvimento e produção de células CAR-T no estado, reforçando a estratégia do Ministério da Saúde de descentralizar e tornar mais acessíveis essas terapias de ponta.

A iniciativa busca criar uma unidade de produção de terapias CAR-T no Ceará, utilizando o modelo Point-of-Care (POC), que consiste na instalação de laboratórios modulares próximos aos locais de atendimento aos pacientes. Essa abordagem pretende reduzir custos logísticos e acelerar o fornecimento do tratamento, que é considerado um avanço significativo na oncologia, especialmente no combate a leucemias e linfomas. O primeiro centro de produção no Brasil foi inaugurado em maio deste ano no Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), da Fiocruz, localizado no Rio de Janeiro. Com o novo acordo, o objetivo é expandir essa capacidade para o Ceará, por meio de um segundo centro, conforme previsto no Acordo de Cooperação Técnica entre a Fiocruz e o Ministério da Saúde, dentro do Programa para Ampliação e Modernização de Infraestrutura do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (PDCEIS).

Além de ampliar a oferta dessas terapias no SUS de forma descentralizada, o projeto também contempla a realização de pesquisas clínicas e estudos, além do fortalecimento da infraestrutura dos centros assistenciais na região. A iniciativa pretende consolidar o Ceará como uma referência regional para pacientes de toda a região Nordeste, contribuindo para a sustentabilidade e capilaridade do sistema público de saúde. A terapia CAR-T, considerada uma das mais inovadoras na área de oncologia, utiliza células do próprio paciente, que são geneticamente modificadas em laboratórios para reconhecer e atacar células cancerígenas, e posteriormente reinfundidas no organismo. A tecnologia, que inicialmente beneficiará pacientes com leucemia e linfoma, representa um avanço importante no tratamento de doenças hematológicas.

O projeto também prevê a produção do vetor lentiviral necessário para a modificação genética das células, que será realizada na planta de vetores virais de Bio-Manguinhos, recentemente utilizada na produção da vacina contra a Covid-19. Essa capacidade de produção é resultado de investimentos e capacitações tecnológicas promovidas ao longo dos anos pelo fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis), permitindo a internalização de processos e a produção nacional de medicamentos e terapias avançadas. Segundo o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, a iniciativa fortalecerá a capacidade tecnológica do Ceará e de seus parceiros, transformando o estado em um polo de inovação na fabricação de medicamentos e terapias avançadas.

A secretária de Saúde do Ceará, Tânia Mara Coelho, destacou que a escolha do estado para a implantação dos estudos se deve ao forte perfil de pesquisa de seus profissionais e ao compromisso de oferecer o melhor tratamento possível à população. Ela reforçou ainda a expectativa de que a iniciativa sirva de modelo para outros estados e serviços do sistema público de saúde. O reitor da UFC, Custódio Almeida, ressaltou a importância do acordo para promover o avanço científico na região Nordeste, garantindo o acesso a tratamentos inovadores por meio de uma cooperação entre instituições de pesquisa e saúde.

O presidente da HU Brasil, Arthur Chioro, enfatizou a força da parceria entre as instituições envolvidas, destacando que o projeto representa um movimento pioneiro na área de desenvolvimento científico e tecnológico, com potencial de impacto positivo no cuidado a pacientes com câncer onco-hematológicos e doenças raras.

A produção e o desenvolvimento de células CAR-T fazem parte da Estratégia para Terapias Avançadas da Fiocruz, alinhada às políticas do Ministério da Saúde. Além da descentralização do acesso, o projeto visa internalizar etapas produtivas e realizar estudos clínicos no Brasil, em parceria com o Instituto Nacional do Câncer (Inca). A produção local busca reduzir custos e ampliar o acesso às terapias, com o suporte regulatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que tem desempenhado papel fundamental na aceleração do desenvolvimento dessas tecnologias no país.

A terapia CAR-T que será produzida utiliza a tecnologia duoCAR-T triespecífica, reconhecida por atacar três antígenos diferentes no combate ao câncer, o que potencializa a eficácia e a durabilidade das respostas clínicas. O tratamento consiste na retirada de linfócitos T do próprio paciente, que passam por modificação genética em laboratórios especializados, recebendo um receptor CAR que permite o reconhecimento das células tumorais. Essas células, multiplicadas em grande quantidade, são reinfundidas no organismo, onde atacam as células cancerígenas. A produção do vetor viral necessário para essa modificação será realizada na planta de Bio-Manguinhos, que também foi responsável pela fabricação da vacina contra a Covid-19, demonstrando a evolução tecnológica e o fortalecimento do setor de biotecnologia no Brasil.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade