O Ministério da Saúde anunciou que, a partir do fim das apostas online no Brasil, irá ampliar suas ações de busca ativa de indivíduos com comportamentos relacionados ao jogo problemático. A medida visa oferecer acompanhamento e tratamento a pessoas que apresentem dificuldades decorrentes da mudança nas regras do setor de apostas, especialmente aqueles que mantêm um padrão de apostas contumaz. A decisão foi comunicada nesta sexta-feira, 25 de outubro, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento realizado na cidade de São Paulo, e faz parte de uma estratégia de enfrentamento aos impactos sociais e de saúde associados às apostas.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, as ações de busca ativa já ocorrem desde dezembro de 2025, apoiadas por dados compartilhados pelos ministérios da Fazenda, Segurança Pública e pela Receita Federal. Essas informações, que circulam em ambientes seguros e protegidos, possibilitam identificar indivíduos com comportamentos de risco relacionados ao jogo. Padilha destacou que o banco de dados utilizado, conhecido como Nuvem Brasil, é totalmente protegido e opera em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), bem como seguindo rigorosos padrões éticos na área de saúde.
Ainda não há detalhes específicos sobre o fluxo de atendimentos ou a previsão de quando as ações de contato e suporte serão iniciadas de forma mais ampla. No entanto, o ministro ressaltou que o programa Meu SUS Digital e plataformas de teleatendimento serão utilizados para oferecer suporte em saúde mental às pessoas afetadas pela mudança nas regras das apostas, incluindo familiares de apostadores. Essa iniciativa busca minimizar os efeitos psicológicos e sociais causados pela proibição, além de promover o acesso a tratamentos adequados.
Durante a coletiva de imprensa, Padilha também abordou os impactos das apostas na saúde pública e na economia do país. Ele citou um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), que estima que o custo social relacionado às apostas chega a aproximadamente R$ 38,8 bilhões anuais. Deste valor, cerca de R$ 17 bilhões estão associados a custos adicionais decorrentes de mortes por suicídio, evidenciando a gravidade do problema e a necessidade de ações integradas para mitigar seus efeitos.
A medida do governo reforça o compromisso de enfrentar os desafios sociais e de saúde gerados pelo setor de apostas, especialmente diante do seu impacto na saúde mental e na segurança pública. A ampliação das ações de busca ativa e o fortalecimento do suporte psicológico indicam uma estratégia de intervenção que visa reduzir os prejuízos sociais e promover uma abordagem mais preventiva e assistencial diante do fenômeno.