O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou, neste domingo, que a economia mundial, embora tenha demonstrado uma notável resiliência diante de diversos desafios, ainda enfrenta riscos significativos relacionados à inflação persistente, ao aumento dos custos de serviço da dívida e ao elevado investimento em inteligência artificial (IA). Essas questões, segundo a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, podem comprometer a estabilidade econômica global nos próximos anos, mesmo com sinais de recuperação e crescimento moderado.
No início de outubro, o FMI divulgou sua previsão de crescimento global para 2026, estimando uma expansão de 3,0%, abaixo dos 3,5% previstos para o ano de 2025. Essa projeção reflete a capacidade da economia de resistir a conflitos, como o conflito no Oriente Médio, e a contribuição de setores tecnológicos que, segundo analistas, têm amortecido os efeitos de tensões geopolíticas e outros choques econômicos. No entanto, Georgieva destacou que essa resiliência não elimina os riscos que podem desacelerar ainda mais o crescimento mundial.
Durante uma participação no Fórum Econômico do Catar, realizado em Nova York na véspera da Assembleia Geral das Nações Unidas, a responsável do FMI reforçou que a inflação, embora não apresente uma resolução rápida, permanece como uma preocupação central. Ela afirmou que muitos bancos centrais deverão continuar com políticas de aperto monetário para tentar conter a alta de preços, o que pode impactar o ritmo de recuperação econômica global.
Outro ponto destacado por Georgieva foi o aumento dos custos relacionados ao serviço da dívida, consequência direta do ambiente de inflação elevada e das taxas de juros mais altas. Apesar do reconhecimento geral da necessidade de ações de consolidação fiscal, ela observou que as medidas adotadas até o momento ainda são insuficientes para reduzir o endividamento de forma sustentável.
A diretora-gerente do FMI também chamou atenção para os riscos associados ao investimento em inteligência artificial, especialmente no que diz respeito à alavancagem financeira e ao financiamento circular — práticas em que recursos circulam entre empresas relacionadas, potencializando riscos de bolhas financeiras. Ela alertou que, se as expectativas em relação à IA não se concretizarem, e a tecnologia não atingir as altas expectativas criadas, poderá ocorrer um choque no sistema financeiro global.
Georgieva destacou que, embora o risco de financiamento da IA esteja concentrado principalmente nos Estados Unidos, empresas de outros continentes, como Ásia e Europa, também fazem parte da cadeia de suprimentos da tecnologia. A expectativa é de que o próximo relatório do FMI, intitulado Perspectivas da Economia Mundial, previsto para outubro, reforce que esses riscos permanecem elevados e representam um desafio importante para o cenário econômico global.
Por outro lado, ela destacou que o crescimento de aproximadamente 3% alcançado atualmente é uma conquista relevante, considerando os múltiplos choques enfrentados nos últimos anos. Como fator positivo, mencionou a rápida resposta global às crises de fornecimento de energia, que demonstra a capacidade de cooperação internacional, apesar das percepções de fragmentação mundial. Georgieva concluiu ressaltando a importância de manter uma postura cautelosa, pois os riscos permanecem elevados e a incerteza se consolidou como uma nova normalidade na economia global.