As ondas de calor que atingiram a França ao longo deste verão podem reduzir o crescimento econômico do país em aproximadamente 0,1 ponto percentual neste ano, segundo informações divulgadas pelo Ministério das Finanças nesta quarta-feira, 2 de novembro. A estimativa, no entanto, ressalta que ainda se trata de uma projeção preliminar e não uma revisão oficial da previsão de crescimento para o país, que atualmente está estimada em 0,7% para o ano de 2026.
O ministério destacou que essa estimativa de impacto é uma análise inicial e que, na fase atual, não há uma atualização formal das previsões econômicas. A previsão de crescimento de 0,7% para o próximo ano foi estabelecida anteriormente, mas a influência das ondas de calor intensas e de eventos climáticos extremos pode dificultar o alcance dessa meta.
Na semana passada, o Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos (INSEE) revisou a previsão de crescimento para o segundo trimestre de 2026, alterando sua estimativa de 0,2% inicialmente para 0,0%, após a economia francesa registrar uma contração de 0,2% no primeiro trimestre do mesmo ano. Essa revisão indica uma desaceleração na recuperação econômica do país, refletindo possíveis efeitos adversos de condições climáticas adversas e outros fatores econômicos internos.
O ministro das Finanças, Roland Lescure, comentou que a recente revisão na classificação de risco do país pelo INSEE representa, na sua avaliação, o primeiro impacto direto do verão considerado “horrível” na França. Segundo Lescure, a deterioração das perspectivas econômicas está relacionada às condições climáticas extremas enfrentadas durante o verão, incluindo ondas de calor severas e incêndios florestais.
A previsão de crescimento anual do governo, que era de 0,7%, torna-se cada vez mais difícil de ser atingida, uma vez que, para isso, a economia precisaria crescer cerca de 0,5% tanto no terceiro quanto no quarto trimestre de 2026. Essa necessidade de crescimento consistente nos últimos dois trimestres do ano reforça a preocupação sobre o impacto das condições climáticas adversas na atividade econômica.
Durante uma conferência de economia, Lescure afirmou que o ministério deverá levar em consideração um provável desempenho fraco no terceiro trimestre ao atualizar as projeções de crescimento e de déficit fiscal da França, previstas para setembro. Essas atualizações serão essenciais para orientar a elaboração da proposta orçamentária do país para 2027, prevista para o início de outubro.
Entre os eventos climáticos que marcaram o verão na França, destacam-se as ondas de calor mais intensas, com registros preocupantes na região de Bordeaux, uma das áreas mais afetadas pelo calor extremo. Além disso, grandes incêndios florestais também ocorreram na floresta de Fontainebleau, próxima a Paris, agravando o cenário de calamidade ambiental e afetando a atividade econômica local.
Esses acontecimentos reforçam a preocupação de que os efeitos das mudanças climáticas possam ter repercussões significativas na economia francesa, influenciando indicadores de crescimento e estabilidade financeira, além de demandar uma revisão das estratégias de política econômica do país diante de eventos climáticos cada vez mais extremos e frequentes.